21 de dezembro de 2014

De pequenino se torce o pepino

Eu gosto de putos. A sério que sim. Já aqui disse várias vezes que até quero uns cá para casa um dia e tudo. Regabofe, inchar e desinchar. Meter a moeda e sair a criança, como na França. Mas isto para dizer que os putos são muito giros, que são, mas os dos outros não. Eu vou gostar muito das minhas crias, mas tenho um bocadinho de pavor às dos outros. Quando são mesmo bebés, adoro-os, são uns pacházinhos fofinhos mai lindos, comem, cagam (e bem!) e dormem, só apetece ficar eternamente ali a dizer "teteeeeé, quem é que é o mais bonito aqui da casa, quem é? Também não é preciso muito, pois não? São todos uns bodezinhos, não são? Han? Coisa foooooofa! Cutxi cutxi!", como se não soubéssemos falar normalmente, feitos monhés*, mas quando chegam à idade em que descobrem que existem mais pigmeus como eles, bam, é uma tourada. Ficam parvos e berram. Berram demasiado. Exigem, fazem birra como se governassem o mundo. Berram em todo o lado, no restaurante, na igreja, na cama, na cozinha, no parque, em todo o lado, parece que os apertámos com muita força na goela e que aquilo veio para fora e formou assim uma espécie de altifalante potentíssimo que só nos apetece escavacar contra uma porra de uma parede. Não se aguenta. Correm em todo o lado, esfregam-se feitos porcos no chão do centro comercial que está cheio de cenas que eu nem quero perceber o que são, ficam todos sujinhos e a cheirar a um misto de couve estragada com óleo Johnsson, fazem trinta por uma linha. Mas o que consegue tirar-me do sério, não são os putos que se borram todos no chão nem que berram quando eu estou a tentar comer descansadinha ali no Xau Ming da zona. O que me chateia são os paizinhos, esses que acham tanta piada a ter um filho mal educado, que desculpam tudo com um sorriso amarelo, ao mesmo tempo que dizem "ah, é só uma criança" e enfiam ao puto um android pela traqueia abaixo. O menino não quer comer? Não come, então. Diz uma asneira? Vamos todos rir-nos, que é giríssimo. Levanta a mãozinha abençoada à mãe quando ela o repreende? Ora, coitadinho, tem sono. Umas palmadinhas no rabo no momento certo faziam milagres, já para não falar de que, se faz birra, perde o direito a ter o que quer que seja que está a tentar reclamar, em vez de ao contrário. Chamem-me extremista, mas depois é vê-los aí todos sabidos, a levarem os outros parvos todos como eles querem e a perderem toda e qualquer hipótese de aprenderem as regras mais básicas de convivência em sociedade. Já diziam os antigos: "de pequenino se torce o pequenino".

* Em jeito de curiosidade, que eu ali em cima brinquei com isto, esta maneira de falar com os bebés, esta entoação cantada e carinhosa que se dá, designa-se por "manhês", e contribui grandemente para a relação afectiva do bebé com a mãe, fortalecendo os vínculos existentes e a comunicação entre ambos. As coisas que eu sei, digam lá, hum?

2 comentários:

Linda Porca disse...

Conseguem ser ainda piores os paizinhos que se vestem de uma psicologia que eles próprios inventaram, que é "se ignorarmos, passa-lhe a birra", ou "já viram o que eu fiz? Uma criança! Não sou espectacular? É que mais ninguém é capaz de dar uma tão bem dada como eu dei daquela vez...". É que a birra não passa, e os outros defecam na grande arte que foi, "daquela vez", dar uma tão bem dada que saiu aquele monstrinho associal.

(eh, pá, eu bem digo que os meus comentários conseguem ser melhores que os meus posts)

(canek. Acho que vou fazer copy para o meu blog. Sou tão boa)

Panda disse...

Ah, pá, LP no seu melhor! Caneco, também digo, grande comentário. Comentário grande. Gostei.