16 de fevereiro de 2015

4:40

Estou com uma insónia terrível. Precisava do teu calor. Queria ouvir a tua voz, só para que o meu coração parasse com as pontadas. Tu estás a dormir, aí longe. Lembrei-me que gostava de ter um vídeo nosso, mas, estranhamente, nunca nos filmámos. Formei uma imagem na minha cabeça, do vídeo inexistente que gostaria de ter agora nas mãos, para poder matar estas saudades que me enchem de vazio. Imaginei-nos na praia, com o vento a envolver os meus cabelos e a franzir os nossos olhos. Sou eu que estou a filmar e estamos a aparecer os dois. Eu estou a falar, falo sempre, falo até demais. E rio-me, muito, porque tu estás ali e eu ainda sinto aquela vergonha que antes me impedia de te olhar nos olhos. Digo-te para dizeres alguma coisa e tu, à boa maneira de quem procura irritar-me, dizes "alguma coisa". E eu rio-me, muito, porque já esperava. E porque, ainda que te espere, surpreendes-me sempre. Acho que é por isso que te amo. Porque és surpresa para mim. Todos os dias acordo e penso se terei sonhado ou se, de facto, és tu quem faz os meus dias. E és. És mesmo. Dás-me um beijo e eu roubo-te outro. Digo "adeus" para a câmara e interrompo o filme. Porque, neste momento, era o que eu faria. Interrompia tudo e ficávamos só nós, a areia fria e o som da rebentação. Sentava-me, quero lá saber das calças de ganga, encostava-me ao teu peito e o sol punha-se, enquanto respirávamos. Só existíamos. Nada mais do que isso. A nossa existência e um amor dos que arranham as entranhas.

5 comentários:

Silent Man disse...

*.* That was beautiful Pandinha!

Panda disse...

Vá, a partir de agora volta-se à programação normal :P

Maria Eu disse...

Bela declaração de amor!

Beijinhos, Panda! :)

Gonçalo disse...

Que texto querido!! :) Espero que em breves mates as saudades todas!

www.rapazdobuzio.blogspot.pt

Panda disse...

Obrigada, Maria e obrigada, Gonçalo :) Sim, já está para perto! :D