26 de outubro de 2014

Mutantes

Hoje entrei na Salsa, pela primeira vez desde há um bom par de anos, decididinha a dar uma oportunidade à loja. A roupa da Salsa, para além de achar que é cara para o que vale, costuma ter um estilo que não me assiste muito. Mas hoje gostei da montra e pronto, bateu-se-me assim um ventinho por trás e quando dei conta tinha sido empurrada e estava lá dentro. E que linda que era a camisola preta que estava imediatamente à entrada, sim senhora, assim gosto, pena que custe os olhinhos da cara, mas vou experimentar mesmo não a levando, deixa cá tirar o M. Não há. 

- Precisa de ajuda? (vem a moça toda gira e pimpona, metia-me a um canto)
- Sim, obrigada, eu quero experimentar o M, tem?
- Vou buscar. (volta com a camisola) Olhe, deixe-me aproveitar p'ra lhe dizer que estamos c'uma campanha, recebe um vale de desconto consoante o MUTANTE (...)

Eu aqui deixei de a ouvir. O meu cérebro começou a fazer uma espécie de zumbido, interferência de certezinha, porque a antena devia estar a apanhar mal, quer dizer, "mutante"? Vocês vendem zombies aqui? É que por 50 mocas vale mais, dá para montar e tudo, e ainda é capaz de me aviar ali uns quantos marmelos que eu não me importava que apanhassem um sustinho. Eu digo-vos, não sei como é que não me escangalhei toda ali. Fiquei tão em choque, que quando dei conta já tinha 5 camisolas para experimentar, porque "olhe qu'ésta é mêmo bonita, num acha, ficava-lhe bem, veja lá, ponha assim à frente" e espetava-me então o cabide nos olhos, alinhado ao nível dos ombros, só para depois me deixar mais um cabide nas patas.

25 de outubro de 2014

Bebedeiras

Pessoas que acham que gritar a plenos pulmões da janela do prédio, como se vos estivessem a rodar os tintins e a queimar-vos vivos, às duas horas da manhã, quando se está a tentar dormir e a tentar controlar o impulso de vos mandar c'um piano nos cornos, por favor, pelo bem dos outros e pelo vosso, porque daqui a nada arranjo coragem, parem. Eu não tenho a vossa vida e tenho um sono reparador em execução. E a Wiggle a tocar alto e bom som faz-me querer mandar-vos com dois pianos nos cornos.

23 de outubro de 2014

Fofos da vida

Há um númerozinho jeitoso de coisas que acontecem numa daily basis e que são fofas para me deixarem de bem com a vida, e como isto aqui não é só dizer mal por dá cá aquela palha, hoje vamos a um levezinho, que o meu humor de cão de hoje bem que precisa de se alegrar com cor-de-rosa, senão fico a bater mal da sagrada bolha, como ouvi dizer. Ora então, do que me estou a lembrar:

- Quando o semáforo fica verde para os peões precisamente no momento em que vou atravessar a estrada;
- Quando encontro alguma coisa que quero/preciso muito em promoção;
- Quando dou com um leve 2 pague 1;
- Quando a pessoa me segura a porta ou me deixa passar primeiro, e eu não me arrisco a levar com a porta no focinho;
- Quando tenho muito chichi e chego, finalmente, à tão desejada casa-de-banho;
- Quando as casas-de-banho públicas têm aquele plástico na sanita que roda quando carregamos no botão;
- Quando acordo por mim mesma, sem despertador e cedo;
- Quando acho que ainda só é quinta-feira e afinal já é sexta;
- Quando gosto de umas calças de ganga à primeira;
- Quando conto uma piada e faço alguém ter que ir a correr para a casa-de-banho;
- Quando o arroz fica no ponto.

A minha alminha até bate palmas de contentamento.

22 de outubro de 2014

Vamos ver se nos entendemos

Já todos vocês, e desta vez dirijo-me principalmente aos espécimes do sexo masculino, perceberam que a mulher é um bicho complexo, pelo menos quando comparada com o homem. Não que isso queira dizer que nós somos demasiado complexas, mas antes que há uma disparidade acentuada relativamente ao sexo oposto. Pondo isto em termos simples: os homens são básicos. E isto não é mau, pelo menos para mim. Eu até queria ser um bocado assim, mas não dá, porque esta porcaria vem toda escrita nos genes e contra a natureza das coisas não há nada a fazer, não é verdade? Isto tudo porque a principal falha entre homens e mulheres está na comunicação. E o busílis da questão, quando corre mal, está na incapacidade que os homens têm de ver mais além e de perceber que nós queremos bem mais do que revelamos, e na nossa incapacidade para simplificarmos e sermos directas. Dá confusão na certa. Por isso, tugas machos, atentem bem:

1. Estou óptima. / Não se passa nada.
Se vocês perguntam "então amor, como estás?" ou "o que se passa?" e ela responde assim, curto e seco, é porque está fula da vida. Filhos, aqui vocês devem recorrer ao plano B: mesmo que não tenham ideia nenhuma do que fizeram desta vez, apesar de se saber perfeitamente que foram vocês, peçam desculpa com muito jeitinho e tentem fazer alguma coisa para compensar. Mas muito cuidadinho com o que fazem para compôr, porque às vezes é pior a emenda do que o soneto.

2. Vens comigo?
Sim. SEMPRE. Não interessa se é para passar 5 horas na Zara ou se é para ir ao jardim botânico. Quando elas perguntam se vocês vão, é porque elas querem MUITO que vocês vão (ou seja, não têm escolha, ou é sim ou é sim).

3. Estou gorda?
Aqui é bastante óbvio o que não se deve dizer, mas mesmo assim eu faço o obséquio: nunca se responde "sim". Isso era meio caminho andado para vocês aparecerem no Correio da Manhã do dia seguinte. E pior do que aparecer morto no jornal, é aparecer morto no Correio da Manhã. Portanto, limitem-se a dizer qualquer coisa como "estás no ponto, babe", nunca falha (o babe é opcional, porque comigo dava direito a vomitar-vos na carpete).

4. Amorzinho, vais-me buscar (isto, aquilo, aqueloutro)?
Vocês até deviam antecipar isto e já estarem prontinhos com o objecto de desejo da vossa dama em riste, seja ele algo que se pode resgatar na cozinha, seja ele algo que vos faz ter que sair porta fora e ir a um grab and go. Mas vá, digam que sim e ela é capaz de vos esboçar um sorrisito.

5. Ai vais sair?
Pensando bem, se calhar é melhor ficarem por casa e cancelarem os planos dos próximos 15 anos. Não vá o diabo tecê-las...

6. Aquela é mais bonita do que eu.
Neguem, pela vossa saúde, neguem. Lembrem-se, Correio da Manhã.

7. Amor, desta vez fiz este prato de uma forma diferente, gostas?
Não interessa se aquilo tem muito tabasco e vos dá uma caganeira de 3 dias, mas está excepcional e vocês adoram os cozinhados dela. Aliás, vocês querem que ela repita. E porque não abrir um restaurante? Jamais, em circunstância alguma, digam que a vossa mãe faz assim e assado, arriscam-se a levar com uma tarte de maçã na tromba (e vão com sorte).

8. Dá-me o comando.
Dêem se não quiserem ver Jardins Proibidos e Sic Mulher em repeat.

21 de outubro de 2014

Sem ofensa

As pessoas que dizem "sem ofensa" antes ou depois de dizerem qualquer coisa que, potencialmente, vai ferir as susceptibilidades do receptor, estão na minha listazinha de pessoas que quero atropelar repetidas vezes com um camião tir por quem nutro pouca simpatia. Não é pela expressão em si, mas sim porque a usam quando têm precisamente o intuito de ofender. E o "sem ofensa" na cabeça destas criaturas atenua a ofensa, por muito má que ela seja. Estou a chamar-te de mono, não gosto da tua tromba e cheiras mal, mas atenção, é sem ofensa, vê lá não te chateies, que eu só quero o teu bem.