26 de outubro de 2014

As pessoas às vezes batem mal

Fui certo dia jantar ao Portvgália, em família, e acontece que o meu guardanapo passou do lado direito do prato para o esquerdo, naquelas coisas do limpa-lábios-leva-copo-à-boca-fala. Pronto, que querem, eu sei que é atroz trocar o raio do guardanapo de sítio para quem padecer de um TOC e lá calhe embirrar com isso em específico, mas foi o entusiasmo da conversa que me levou a esse ponto. Falo assim, porque em menos de 1 minuto tinha o senhor empregado à minha beira, a tentar, com toda a minúcia, alterar o poiso do meu guardanapo do lado esquerdo novamente para o lado direito. Sim, foi mesmo só isso que ele foi fazer à minha mesa, mexer no meu guardanapo e mudá-lo de sítio. Eu podia ter-lhe espetado o garfo na mão, mas achei que seria mais lúdico para mim e para a famelga continuar, sucessivamente, a colocar o guardanapo do lado esquerdo. 20 vezes o fiz, 20 vezes ele veio mudar. E era ver ali o homem a sofrer da sagrada bolha. Mas é bem-feita, que ninguém o mandou mexer no meu guardanapo.

Mutantes

Hoje entrei na Salsa, pela primeira vez desde há um bom par de anos, decididinha a dar uma oportunidade à loja. A roupa da Salsa, para além de achar que é cara para o que vale, costuma ter um estilo que não me assiste muito. Mas hoje gostei da montra e pronto, bateu-se-me assim um ventinho por trás e quando dei conta tinha sido empurrada e estava lá dentro. E que linda que era a camisola preta que estava imediatamente à entrada, sim senhora, assim gosto, pena que custe os olhinhos da cara, mas vou experimentar mesmo não a levando, deixa cá tirar o M. Não há. 

- Precisa de ajuda? (vem a moça toda gira e pimpona, metia-me a um canto)
- Sim, obrigada, eu quero experimentar o M, tem?
- Vou buscar. (volta com a camisola) Olhe, deixe-me aproveitar p'ra lhe dizer que estamos c'uma campanha, recebe um vale de desconto consoante o MUTANTE (...)

Eu aqui deixei de a ouvir. O meu cérebro começou a fazer uma espécie de zumbido, interferência de certezinha, porque a antena devia estar a apanhar mal, quer dizer, "mutante"? Vocês vendem zombies aqui? É que por 50 mocas vale mais, dá para montar e tudo, e ainda é capaz de me aviar ali uns quantos marmelos que eu não me importava que apanhassem um sustinho. Eu digo-vos, não sei como é que não me escangalhei toda ali. Fiquei tão em choque, que quando dei conta já tinha 5 camisolas para experimentar, porque "olhe qu'ésta é mêmo bonita, num acha, ficava-lhe bem, veja lá, ponha assim à frente" e espetava-me então o cabide nos olhos, alinhado ao nível dos ombros, só para depois me deixar mais um cabide nas patas.

25 de outubro de 2014

Bebedeiras

Pessoas que acham que gritar a plenos pulmões da janela do prédio, como se vos estivessem a rodar os tintins e a queimar-vos vivos, às duas horas da manhã, quando se está a tentar dormir e a tentar controlar o impulso de vos mandar c'um piano nos cornos, por favor, pelo bem dos outros e pelo vosso, porque daqui a nada arranjo coragem, parem. Eu não tenho a vossa vida e tenho um sono reparador em execução. E a Wiggle a tocar alto e bom som faz-me querer mandar-vos com dois pianos nos cornos.

23 de outubro de 2014

Fofos da vida

Há um númerozinho jeitoso de coisas que acontecem numa daily basis e que são fofas para me deixarem de bem com a vida, e como isto aqui não é só dizer mal por dá cá aquela palha, hoje vamos a um levezinho, que o meu humor de cão de hoje bem que precisa de se alegrar com cor-de-rosa, senão fico a bater mal da sagrada bolha, como ouvi dizer. Ora então, do que me estou a lembrar:

- Quando o semáforo fica verde para os peões precisamente no momento em que vou atravessar a estrada;
- Quando encontro alguma coisa que quero/preciso muito em promoção;
- Quando dou com um leve 2 pague 1;
- Quando a pessoa me segura a porta ou me deixa passar primeiro, e eu não me arrisco a levar com a porta no focinho;
- Quando tenho muito chichi e chego, finalmente, à tão desejada casa-de-banho;
- Quando as casas-de-banho públicas têm aquele plástico na sanita que roda quando carregamos no botão;
- Quando acordo por mim mesma, sem despertador e cedo;
- Quando acho que ainda só é quinta-feira e afinal já é sexta;
- Quando gosto de umas calças de ganga à primeira;
- Quando conto uma piada e faço alguém ter que ir a correr para a casa-de-banho;
- Quando o arroz fica no ponto.

A minha alminha até bate palmas de contentamento.

22 de outubro de 2014

Vamos ver se nos entendemos

Já todos vocês, e desta vez dirijo-me principalmente aos espécimes do sexo masculino, perceberam que a mulher é um bicho complexo, pelo menos quando comparada com o homem. Não que isso queira dizer que nós somos demasiado complexas, mas antes que há uma disparidade acentuada relativamente ao sexo oposto. Pondo isto em termos simples: os homens são básicos. E isto não é mau, pelo menos para mim. Eu até queria ser um bocado assim, mas não dá, porque esta porcaria vem toda escrita nos genes e contra a natureza das coisas não há nada a fazer, não é verdade? Isto tudo porque a principal falha entre homens e mulheres está na comunicação. E o busílis da questão, quando corre mal, está na incapacidade que os homens têm de ver mais além e de perceber que nós queremos bem mais do que revelamos, e na nossa incapacidade para simplificarmos e sermos directas. Dá confusão na certa. Por isso, tugas machos, atentem bem:

1. Estou óptima. / Não se passa nada.
Se vocês perguntam "então amor, como estás?" ou "o que se passa?" e ela responde assim, curto e seco, é porque está fula da vida. Filhos, aqui vocês devem recorrer ao plano B: mesmo que não tenham ideia nenhuma do que fizeram desta vez, apesar de se saber perfeitamente que foram vocês, peçam desculpa com muito jeitinho e tentem fazer alguma coisa para compensar. Mas muito cuidadinho com o que fazem para compôr, porque às vezes é pior a emenda do que o soneto.

2. Vens comigo?
Sim. SEMPRE. Não interessa se é para passar 5 horas na Zara ou se é para ir ao jardim botânico. Quando elas perguntam se vocês vão, é porque elas querem MUITO que vocês vão (ou seja, não têm escolha, ou é sim ou é sim).

3. Estou gorda?
Aqui é bastante óbvio o que não se deve dizer, mas mesmo assim eu faço o obséquio: nunca se responde "sim". Isso era meio caminho andado para vocês aparecerem no Correio da Manhã do dia seguinte. E pior do que aparecer morto no jornal, é aparecer morto no Correio da Manhã. Portanto, limitem-se a dizer qualquer coisa como "estás no ponto, babe", nunca falha (o babe é opcional, porque comigo dava direito a vomitar-vos na carpete).

4. Amorzinho, vais-me buscar (isto, aquilo, aqueloutro)?
Vocês até deviam antecipar isto e já estarem prontinhos com o objecto de desejo da vossa dama em riste, seja ele algo que se pode resgatar na cozinha, seja ele algo que vos faz ter que sair porta fora e ir a um grab and go. Mas vá, digam que sim e ela é capaz de vos esboçar um sorrisito.

5. Ai vais sair?
Pensando bem, se calhar é melhor ficarem por casa e cancelarem os planos dos próximos 15 anos. Não vá o diabo tecê-las...

6. Aquela é mais bonita do que eu.
Neguem, pela vossa saúde, neguem. Lembrem-se, Correio da Manhã.

7. Amor, desta vez fiz este prato de uma forma diferente, gostas?
Não interessa se aquilo tem muito tabasco e vos dá uma caganeira de 3 dias, mas está excepcional e vocês adoram os cozinhados dela. Aliás, vocês querem que ela repita. E porque não abrir um restaurante? Jamais, em circunstância alguma, digam que a vossa mãe faz assim e assado, arriscam-se a levar com uma tarte de maçã na tromba (e vão com sorte).

8. Dá-me o comando.
Dêem se não quiserem ver Jardins Proibidos e Sic Mulher em repeat.