O tuga é humano e, como qualquer humano que se preze, o tuga tem fraquezas. Nós somos um povo quentinho, fixe e acolhedor para os que visitam o nosso país, mas, diga-se de passagem, que entre nós somos um bocadinho estranhos, no mínimo. Tuga que é tuga mostra quem é que veste as calças lá em casa. O "está azedo, ó prova" é um exemplo. Nós temos ali aquele Mimosa Bem Especial há uns, no mínimo, 30 dias e apetece-nos comer cereais ou usar aquilo para fazer puré, e como somos gente que não gosta de deitar fora (sim, porque isto não é só fraquezas, também temos virtudes), os 30 dias não nos convencem, e então o que se faz é pedir a um desgraçado qualquer lá de casa para provar aquela porcaria, que já está mais que verde e tem cenas a boiar lá dentro. Isto serve para tudo. Para o "isto cheira mal, ó cheira", para o "esta cadeira está laça, ó senta-te", para o "vê-me se esta camisola cheira a suor debaixo dos sovacos", tudo o que seja mau. Nós gostamos de partilhar este tipo de coisas, não gostamos de ficar sozinhos nestas situações. Caramba, se eu cheirei esta porcaria, mais alguém tem que cheirar. Queremos ver o outro a sentir-se tão mal quanto nós com o cheiro do Mimosa e, se ele cair também da cadeira abaixo, ainda dizemos "vês? Eu disse-te que estava laça, tem que se compôr". O pior disto tudo é que o desgraçado que cheirou o Mimosa para confirmar que aquilo já não estava bom e acabou a torcer o nariz até ficar deformado e a dizer "eish, isso cheira mesmo mal", ou que se sentou na cadeira sabendo que aquilo ia cair não tarda e acabou c'uma nódoa negra na nádega esquerda, acedeu com toda a boa vontade que, por outro lado, também nos caracteriza. Somos estúpidos.
28 de outubro de 2014
27 de outubro de 2014
Praia
Este tempo de calor faz-me lembrar praia. E praia faz-me lembrar certos ódiozinhos de estimação que eu dispensava ter que aguentar sempre que lá vou. Ora:
1. Putos
Epá, eu gosto muito de crianças, que gosto. São giros, fofinhos, dão para trazer no bolso e mostrar às pessoas e tal. Mas putos na praia não dá. Putos na praia significa berros, os ó-mãaaaaeeeeeeeee-mãaaeeeeeee, areia na toalha e sabe-se lá mais onde, mais berros, choro, guinchinhos estridentes, correrias e chapinhanços. E também se vêem pilinhas de vez em quando, porque, bem, os putos ainda não têm opinião e são os pais que mandam.
2. Qué relógio?
Os "qué relógio" estão sempre a tentar expandir negócio e, por isso, estão por todo o lado. Eles têm relógios rofex, óculos de sol rei ban e daquelas pulseiras às cores que se compram nas feiras. E os mais artísticos trazem ainda túnicas e chapéus. É o que eu gosto de chamar homem da gabardine, só que, para felicidade minha, ainda não começaram a levar gabardine e a abri-la sem ter nada por baixo.
3. Casais languinhentos
Estes aqui são um caso mais delicado. Estamos na praia, o pessoal está em trajes menores, e se já é mau ter que levar com um casal a fazer endoscopias a céu aberto noutro sítio qualquer, então ali pior ainda. Porque, bem, os homens têm sempre algo que revela muito bem o seu estado de espírito nestas situações e nós não queremos ver isso. Intimidade alheia interessa-me tanto como ver Secret Story. Zerinho.
4. Mamas e rabos
Claro que neste ponto os machos discordam de mim, mas a verdade é que eu não fui para uma praia de nudismo por alguma razão.
5. Bolas
Não consigo contar apenas pelos dedos o número de vezes que já levei boladas na praia, à custa dos maus locais que os gaiatos escolher para jogar à bola. E aquela porcaria vai a toda a força, cheia de areia contra as pernas, barrigas e braços das pessoas. Fica-se ali com um picotado jeitoso na pele e uma vermelhidão bonita, para dar cor.
6. Chapéus voadores
Já levei com um em cheio no trombil e não posso dizer que gostei da experiência.
E é isto, para além dos avecs todos que aparecem no verão e que se apoderam da praia com aqueles neologismos espectaculares. Acho que vou comprar uma ilha e deixar de ir à praia.
5. Bolas
Não consigo contar apenas pelos dedos o número de vezes que já levei boladas na praia, à custa dos maus locais que os gaiatos escolher para jogar à bola. E aquela porcaria vai a toda a força, cheia de areia contra as pernas, barrigas e braços das pessoas. Fica-se ali com um picotado jeitoso na pele e uma vermelhidão bonita, para dar cor.
6. Chapéus voadores
Já levei com um em cheio no trombil e não posso dizer que gostei da experiência.
E é isto, para além dos avecs todos que aparecem no verão e que se apoderam da praia com aqueles neologismos espectaculares. Acho que vou comprar uma ilha e deixar de ir à praia.
26 de outubro de 2014
As pessoas às vezes batem mal
Fui certo dia jantar ao Portvgália, em família, e acontece que o meu guardanapo passou do lado direito do prato para o esquerdo, naquelas coisas do limpa-lábios-leva-copo-à-boca-fala. Pronto, que querem, eu sei que é atroz trocar o raio do guardanapo de sítio para quem padecer de um TOC e lá calhe embirrar com isso em específico, mas foi o entusiasmo da conversa que me levou a esse ponto. Falo assim, porque em menos de 1 minuto tinha o senhor empregado à minha beira, a tentar, com toda a minúcia, alterar o poiso do meu guardanapo do lado esquerdo novamente para o lado direito. Sim, foi mesmo só isso que ele foi fazer à minha mesa, mexer no meu guardanapo e mudá-lo de sítio. Eu podia ter-lhe espetado o garfo na mão, mas achei que seria mais lúdico para mim e para a famelga continuar, sucessivamente, a colocar o guardanapo do lado esquerdo. 20 vezes o fiz, 20 vezes ele veio mudar. E era ver ali o homem a sofrer da sagrada bolha. Mas é bem-feita, que ninguém o mandou mexer no meu guardanapo.
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Mutantes
Hoje entrei na Salsa, pela primeira vez desde há um bom par de anos, decididinha a dar uma oportunidade à loja. A roupa da Salsa, para além de achar que é cara para o que vale, costuma ter um estilo que não me assiste muito. Mas hoje gostei da montra e pronto, bateu-se-me assim um ventinho por trás e quando dei conta tinha sido empurrada e estava lá dentro. E que linda que era a camisola preta que estava imediatamente à entrada, sim senhora, assim gosto, pena que custe os olhinhos da cara, mas vou experimentar mesmo não a levando, deixa cá tirar o M. Não há.
- Precisa de ajuda? (vem a moça toda gira e pimpona, metia-me a um canto)
- Sim, obrigada, eu quero experimentar o M, tem?
- Vou buscar. (volta com a camisola) Olhe, deixe-me aproveitar p'ra lhe dizer que estamos c'uma campanha, recebe um vale de desconto consoante o MUTANTE (...)
Eu aqui deixei de a ouvir. O meu cérebro começou a fazer uma espécie de zumbido, interferência de certezinha, porque a antena devia estar a apanhar mal, quer dizer, "mutante"? Vocês vendem zombies aqui? É que por 50 mocas vale mais, dá para montar e tudo, e ainda é capaz de me aviar ali uns quantos marmelos que eu não me importava que apanhassem um sustinho. Eu digo-vos, não sei como é que não me escangalhei toda ali. Fiquei tão em choque, que quando dei conta já tinha 5 camisolas para experimentar, porque "olhe qu'ésta é mêmo bonita, num acha, ficava-lhe bem, veja lá, ponha assim à frente" e espetava-me então o cabide nos olhos, alinhado ao nível dos ombros, só para depois me deixar mais um cabide nas patas.
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25 de outubro de 2014
Bebedeiras
Pessoas que acham que gritar a plenos pulmões da janela do prédio, como se vos estivessem a rodar os tintins e a queimar-vos vivos, às duas horas da manhã, quando se está a tentar dormir e a tentar controlar o impulso de vos mandar c'um piano nos cornos, por favor, pelo bem dos outros e pelo vosso, porque daqui a nada arranjo coragem, parem. Eu não tenho a vossa vida e tenho um sono reparador em execução. E a Wiggle a tocar alto e bom som faz-me querer mandar-vos com dois pianos nos cornos.
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