30 de outubro de 2014

Fuck it


As maravilhas que se encontram num parque de estacionamento.

29 de outubro de 2014

As mulheres e a discrição

Quero crer que sou uma pessoa discreta, mas vamos lá ver, falando a sério, a quem é que eu quero enganar? Uma mulher discreta é uma raridade. Nós nascemos para ser curiosas e para satisfazer a nossa curiosidade na hora. Não é daqui a cinco minutos, duas horas, não, é logo. Para ontem. É por isso que não nos podem dizer "olha, está ali a passar uma mulher com três mamas e um braço no meio da testa" e acrescentar "mas não olhes agora" porque nós não vamos aguentar. Ainda a outra pessoa não acabou de falar e já nós estamos a fazer o movimento ao pescoço sem qualquer tipo de arrependimento. E depois não olhamos devagarinho, era o que mais faltava, toca a virar depressa que isto a vida são três dias e não podemos perder muito tempo. Quando é um grupo de mulheres e viram todas ao mesmo tempo, enquanto perguntam "ONDE" é que eu fico contente. Show de bola.

28 de outubro de 2014

Solidariedade e estupidez

O tuga é humano e, como qualquer humano que se preze, o tuga tem fraquezas. Nós somos um povo quentinho, fixe e acolhedor para os que visitam o nosso país, mas, diga-se de passagem, que entre nós somos um bocadinho estranhos, no mínimo. Tuga que é tuga mostra quem é que veste as calças lá em casa. O "está azedo, ó prova" é um exemplo. Nós temos ali aquele Mimosa Bem Especial há uns, no mínimo, 30 dias e apetece-nos comer cereais ou usar aquilo para fazer puré, e como somos gente que não gosta de deitar fora (sim, porque isto não é só fraquezas, também temos virtudes), os 30 dias não nos convencem, e então o que se faz é pedir a um desgraçado qualquer lá de casa para provar aquela porcaria, que já está mais que verde e tem cenas a boiar lá dentro. Isto serve para tudo. Para o "isto cheira mal, ó cheira", para o "esta cadeira está laça, ó senta-te", para o "vê-me se esta camisola cheira a suor debaixo dos sovacos", tudo o que seja mau. Nós gostamos de partilhar este tipo de coisas, não gostamos de ficar sozinhos nestas situações. Caramba, se eu cheirei esta porcaria, mais alguém tem que cheirar. Queremos ver o outro a sentir-se tão mal quanto nós com o cheiro do Mimosa e, se ele cair também da cadeira abaixo, ainda dizemos "vês? Eu disse-te que estava laça, tem que se compôr". O pior disto tudo é que o desgraçado que cheirou o Mimosa para confirmar que aquilo já não estava bom e acabou a torcer o nariz até ficar deformado e a dizer "eish, isso cheira mesmo mal", ou que se sentou na cadeira sabendo que aquilo ia cair não tarda e acabou c'uma nódoa negra na nádega esquerda, acedeu com toda a boa vontade que, por outro lado, também nos caracteriza. Somos estúpidos.

27 de outubro de 2014

Praia

Este tempo de calor faz-me lembrar praia. E praia faz-me lembrar certos ódiozinhos de estimação que eu dispensava ter que aguentar sempre que lá vou. Ora:

1. Putos
Epá, eu gosto muito de crianças, que gosto. São giros, fofinhos, dão para trazer no bolso e mostrar às pessoas e tal. Mas putos na praia não dá. Putos na praia significa berros, os ó-mãaaaaeeeeeeeee-mãaaeeeeeee, areia na toalha e sabe-se lá mais onde, mais berros, choro, guinchinhos estridentes, correrias e chapinhanços. E também se vêem pilinhas de vez em quando, porque, bem, os putos ainda não têm opinião e são os pais que mandam.

2. Qué relógio?
Os "qué relógio" estão sempre a tentar expandir negócio e, por isso, estão por todo o lado. Eles têm relógios rofex, óculos de sol rei ban e daquelas pulseiras às cores que se compram nas feiras. E os mais artísticos trazem ainda túnicas e chapéus. É o que eu gosto de chamar homem da gabardine, só que, para felicidade minha, ainda não começaram a levar gabardine e a abri-la sem ter nada por baixo.

3. Casais languinhentos
Estes aqui são um caso mais delicado. Estamos na praia, o pessoal está em trajes menores,  e se já é mau ter que levar com um casal a fazer endoscopias a céu aberto noutro sítio qualquer, então ali pior ainda. Porque, bem, os homens têm sempre algo que revela muito bem o seu estado de espírito nestas situações e nós não queremos ver isso. Intimidade alheia interessa-me tanto como ver Secret Story. Zerinho.

4. Mamas e rabos
Claro que neste ponto os machos discordam de mim, mas a verdade é que eu não fui para uma praia de nudismo por alguma razão.

5. Bolas
Não consigo contar apenas pelos dedos o número de vezes que já levei boladas na praia, à custa dos maus locais que os gaiatos escolher para jogar à bola. E aquela porcaria vai a toda a força, cheia de areia contra as pernas, barrigas e braços das pessoas. Fica-se ali com um picotado jeitoso na pele e uma vermelhidão bonita, para dar cor.

6. Chapéus voadores
Já levei com um em cheio no trombil e não posso dizer que gostei da experiência.

E é isto, para além dos avecs todos que aparecem no verão e que se apoderam da praia com aqueles neologismos espectaculares. Acho que vou comprar uma ilha e deixar de ir à praia.

26 de outubro de 2014

As pessoas às vezes batem mal

Fui certo dia jantar ao Portvgália, em família, e acontece que o meu guardanapo passou do lado direito do prato para o esquerdo, naquelas coisas do limpa-lábios-leva-copo-à-boca-fala. Pronto, que querem, eu sei que é atroz trocar o raio do guardanapo de sítio para quem padecer de um TOC e lá calhe embirrar com isso em específico, mas foi o entusiasmo da conversa que me levou a esse ponto. Falo assim, porque em menos de 1 minuto tinha o senhor empregado à minha beira, a tentar, com toda a minúcia, alterar o poiso do meu guardanapo do lado esquerdo novamente para o lado direito. Sim, foi mesmo só isso que ele foi fazer à minha mesa, mexer no meu guardanapo e mudá-lo de sítio. Eu podia ter-lhe espetado o garfo na mão, mas achei que seria mais lúdico para mim e para a famelga continuar, sucessivamente, a colocar o guardanapo do lado esquerdo. 20 vezes o fiz, 20 vezes ele veio mudar. E era ver ali o homem a sofrer da sagrada bolha. Mas é bem-feita, que ninguém o mandou mexer no meu guardanapo.