Gosto de estudar em Coimbra. É uma cidade antiga, cheia de tradição, capas negras e calçada. Mas o meu pequeno prazer em Coimbra é, talvez, diferente dos prazeres mais queridos pelos que lá estudam. Digo-vos que, para mim, é ir a pé de minha casa, que fica perto da Praça da República, até à estação nova. Aquele percurso, que me leva cerca de vinte minutos, ou meia-hora se eu for mais devagarinho, sabe-me pela vida, principalmente no inverno, quando o tempo consegue ser amigo e não começa a chover. Hoje fiz esse percurso outra vez, já há muito que não o fazia. O ar congelava os ossos, o céu estava carregado de cinzento, o piso escorregava e os carros levavam as luzes. As pessoas, todas diferentes e todas iguais, os estudantes e os coimbrinhas, os que vestiam capa e batina e os que apenas carregavam a pasta, todos na sua correria diária, sem prestar grande atenção a caras e ao movimento da cidade e eu passava por todos eles, de mala atrás, e o tempo parava a cada cara que se cruzava no meu caminho. E a senhora das castanhas, com o seu carrinho de fumo, muito velhinha, e o cheirinho no ar, e a música de rua, o fado que também é meu. Os atalhos da baixa e as lojas à antiga, os mercadinhos lado a lado com as lojas gourmet. E a estação, com pessoas a chegar e a ir embora para a terra. São os pequenos prazeres recônditos que me cativam e, um dia, quando deixar de estudar em Coimbra, vou ter saudades deste meu percurso, que tanta calma me sabe trazer no meio de tanta pressa.
7 de novembro de 2014
5 de novembro de 2014
Slogans
Lembram-se da publicidade do Quim Roscas e do Zeca Estacionâncio? Hits como a Vaselina Maria Inês e os escapes Carvalho, lembram-se? Pois bem, eu, Panda, cheguei com slogans inventados por mim, em pleno dia de procrastinação desenfreada e sem qualquer sentimento de culpa aliado. Vocês podem perfeitamente adicionar os que quiserem ali aos comentários, que até é mais giro assim. Aqui vai:
- Persianas Castanhol: tapam o vento, a chuva e o sol.
- Debulhadoras Fibril: nunca uma máquina agrícola foi tão baril.
- Biqueiras Guru: um pontapé e fica sem cu.
- Mesas Toscana: se puser papelinhos por baixo, não abana.
- Colchões de água Errera: um furinho e já era.
- Bidés Areeiro: lavam os pés, as partes e o cagueiro.
- Colchões Manilho: compre um e faça um filho.
Tá difícil
Eu bem que tentei ignorar a onda do Não Me Toca e isso tudo, mas, reconheçamos (que eu também sou menina para dar o braço a torcer de vez em vez), que quando alguma coisa se torna viral nós deitamos o olho. Neste caso, o ouvido também. E eis que dei por mim a passar os olhos pelas letras do Anselmo, depois de ouvir até à exaustão as músicas do moço sensação a passar na rádio e nos bares e em todo o sítio e mais algum. Comecemos, pois então, que se faz tarde:
1. Eu te disse que eu era inocente, baby
Esta é aquela do "eu bem te disse pra estares masé caladinha, que não esteve nenhuma moça de leste no meu quarto, aquilo no cobertor eram os pêlos do Labrador da vizinha, eu bem te disse, mas tu és sempre a mesma coisa, pá, sempre a mesma coisa". Ali o "baby" é para dar uma pitadinha de doçura.
2. O teu ciúme no teu ouvido pôs algodão
Não foi o ciúme, Anselmo. Ela não está é para te ouvir cantar, pareces uma tia de Cascais com a caganeira, qualquer dia até eu estou a pôr algodão nos ouvidos.
3. Meu telefone e email tu tinhas o pin
Aaah, mas do Tuíta e do Feicebuque nem vê-lo. Tá mal. Ou dás todos, ou não dás nenhum.
4. Pra ti sou sempre o vilão, ão
Os cães fazem-se de mortos, aqui o nosso Anselmo faz-se de vítima. Eu já disse ao meu homem que, da próxima vez que discutirmos assim qualquer coisita, vou também cantar, no meu tom de voz sofredor, "pra ti sou sempre a vilãaa, haaan". Pode ser que resulte e que ele venha em direcção à minha pessoa para me dar um xi-coração e que eu depois tenha a oportunidade de dizer "não, não, não. Não me toca!"
E agora, vá, "me deixa ir" que amanhã é um dia pesadito. Boas noites.
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2 de novembro de 2014
10 provas de que Deus não me curte
1. Nas situações raras em que deixo a loiça por lavar, o prato precisa de ser esfregado 355 vezes até ficar bem.
2. Compro uma coisa e uns dias depois aparece em promoção, com um desconto para aí de 50%.
3. Quero muito aquele item em específico e não tem o meu tamanho.
4. Saio de casa e começa a chover.
5. Levo a roupa de inverno para Coimbra, porque o tempo ficou feio, e na semana seguinte ficam 300 graus e um sol que não se pode.
6. O jantar está em execução e falta-me alguma coisa que não tenho em casa.
7. A matéria que estudo mais é precisamente a única que não sai.
8. Estou a fazer alguma coisa importante e a net vai abaixo.
9. Um mês a poupar para comprar aquilo e, quando finalmente tenho o dinheiro, já não há.
10. Bater com o cotovelo, sempre da mesma forma e no mesmo sítio, praticamente todos os dias.
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31 de outubro de 2014
Enfermeiras, princesas e Smurfs
Pessoal, isto é o Halloween. Não é o Carnaval. E por muito que seja giro vestir de enfermeira badalhoca, tentem que o badalhoco seja mesmo porque as vossas tripas estão de fora e vocês nem tiveram tempo de se limpar. E por muito tentador que possa ser ir de Princesa, porque queremos andar sempre lindas (suas vaidosonas!), metam uma faca a atravessar-vos a cabeça e façam qualquer coisa à cara ou ao cabelo para parecer que andaram a combater na segunda Grande Guerra. Palhaços assustadores, sim, enfermeiras de asilo, sim, vampiros, bruxas e ogres, sim, Lili Caneças ou Betty Grafstein, também. Se quiserem mesmo levar isto à loucura, vistam-se de Correio da Manhã, que assusta de tão mau. Agora cenas que não servem para assustar guardem para o Carnaval, combinado? Prooonto. Entretanto, vou só ali ver se encontro a minha mão direita, que de vez em quando dá-lhe para a brincadeira e foge que nem uma maluca.
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