2 de dezembro de 2014

Pois, também vi logo que era fruta a mais

Hoje estava lá na faculdade a comer um folhado de chocolate quando me lembrei que, da última vez que comi aquilo, fui a comê-lo pelo caminho que separa o edifício principal da faculdade do edifício 2. Era acabadinho de sair do forno, a nutella que preenche o interior daquilo escorregava por todos os lados e estava uma ventania do caraças. Arrependi-me logo de ir a comer aquilo na rua, mas pronto, sempre crente e nada a temer, continuei na minha vidinha. Chegada ao destino, está um bando de espécimes do sexo masculino a descer as escadas e, conforme eu subo, olham todos para mim, com um ar curioso, e eu ali a pensar logo na melhor maneira de dar uma palmadinha nas minhas próprias costas para me felicitar pela minha aparência, que chamou tanto a atenção dos moços. Pois, mas não. Percebi o motivo dos olhares quando, depois de ir ao wc, olhei para as minhas fuças no espelho e constatei que tinha um grande bocado de nutella mesmo acima da sobrancelha esquerda.

11 de novembro de 2014

Agora percebo que era tudo para o bem da comunidade

Os homens questionam-se sempre sobre as razões pelas quais o mulherio vai todo em grupo à casa-de-banho. Estão na danceteria a curtir o som e, de repente, lá vão elas, as duas, as três, as quatro, as vinte, todas juntas. Uns dizem que é para retocar maquilhagem e compor as mamocas (todas sabemos que a gravidade faz muito bem o seu papel, principalmente quando estamos a dançar), outros dizem que é para falar mal dos homens. Falando por mim, só vou à casa-de-banho com uma amiga quando a) não sei onde é e, como sou pitosga, é melhor prevenir-me, b) não sei onde é e também não sou muito boa a interpretar quando me explicam, ou c) estou já a sentir o efeito daquela caipiróska de morango. Mas hoje, hoje percebi que há uma outra razão que mais ninguém viu ainda (e sim, podem presentear-me com um Prémio Nobel, que seja criado um de propósito dedicado a esta situação!). Fui à casa-de-banho da danceteria, prestes a rebentar o saco das águas, e deparo-me com umas cinco moças na fila. Sobe-me um desespero pelo corpo acima, tento controlar-me para não me descer nada pelas pernas abaixo, já ponderava fazer mesmo no lavatório, que se lixe a dignidade... e eis que sai do único cubículo disponível a sua ocupante. E ouço, juntamente com um coro de vozes angelicais: "nós não vamos, podes ir, viemos só com ela". Foi alívio. Deu-me vontade de espetar um beijo redondinho e repenicado a todas as gaiatas e agradecer efusivamente. Afinal de contas, as mulheres também vão juntas à casa-de-banho para proporcionar momentos destes, de alívio e de paz com o Mundo. O altruísmo é uma coisa muito bonita.

10 de novembro de 2014

Automonitorização

Diz que é a "regulação do comportamento individual no sentido de responder às exigências de uma situação ou às expectativas de outras pessoas". E, assim de repente, consigo lembrar-me de umas quantas coisas que precisavam de automonitorização urgente:

- Comer de boca aberta;
- Falar de boca cheia;
- Mascar pastilha e fazer tchoc thoc thoc;
- Tossir para cima dos outros;
- Não devolver o que se pede emprestado;
- Coçá-los em público;
- Ajeitar as cuecas em público;
- Arrotar alto e bom som num restaurante ou em casa alheia;
- Dar puns em transportes públicos (o ar que circula não é tão facilmente reciclado, minha gente!);
- Não apanhar o cocó dos bichinhos (haviam de se borrar forte e feio para dentro dos sapatos de Vossas Excelências);
- Cuspir para o chão, principalmente se fizerem aquele som a puxar;
- Fumar para cima dos outros.

E podia estar aqui uns dias...

7 de novembro de 2014

6 tipos

1. O engatatão
Sempre armado ao pingarelho, tanto estilo que parece um grilo, este aqui é daqueles que se tornam enjoativos com o tempo. Só vê rabos de saias à frente e é mais frequentemente visto a coçá-los numa esplanada ou na disco night. Usa as palavras da praxe, pois claro, "princesa" e "linda" não falham.

2. O menino da mamã
A mãe é a mulher da vida dele, tudo o que a mãe faz está certo e só ela é que faz bem. Cozinhar para este gaiato ou fazer as lides da casa à frente dele pode ser uma tarefa dolorosa, se não o soubermos fazer exactamente como a D. Arlinda.

3. O nerd
Jogos, computadores e mais jogos. A casa pode estar a arder, mas se eles estiverem a jogar não dão por ela. 

4. O fervoroso do futebol
O Benfica é o nosso grande amoooooooor! É um futebolista de alma. Vive do futebol e para o futebol. E se a mulher alinhar numa jola, tremoços e Benfas, ele casa-se.
(Aqui usei o SLB porque é o meu clube - shiu)

5. O taradinho por anime 
Vistam-se lá de uma personagem qualquer de anime e o moço vai ficar tolinho da cabeça. Se for Hentai, então, é capaz de ter um ataque. Preparem-se para muito Cosplay nesta relação.

6. O engraçadinho
Não fala a sério, nunca. Goza, muito. Irritante de fazer doer nos ossos. Tendências para ser infantil.

As castanhas

Gosto de estudar em Coimbra. É uma cidade antiga, cheia de tradição, capas negras e calçada. Mas o meu pequeno prazer em Coimbra é, talvez, diferente dos prazeres mais queridos pelos que lá estudam. Digo-vos que, para mim, é ir a pé de minha casa, que fica perto da Praça da República, até à estação nova. Aquele percurso, que me leva cerca de vinte minutos, ou meia-hora se eu for mais devagarinho, sabe-me pela vida, principalmente no inverno, quando o tempo consegue ser amigo e não começa a chover. Hoje fiz esse percurso outra vez, já há muito que não o fazia. O ar congelava os ossos, o céu estava carregado de cinzento, o piso escorregava e os carros levavam as luzes. As pessoas, todas diferentes e todas iguais, os estudantes e os coimbrinhas, os que vestiam capa e batina e os que apenas carregavam a pasta, todos na sua correria diária, sem prestar grande atenção a caras e ao movimento da cidade e eu passava por todos eles, de mala atrás, e o tempo parava a cada cara que se cruzava no meu caminho. E a senhora das castanhas, com o seu carrinho de fumo, muito velhinha, e o cheirinho no ar, e a música de rua, o fado que também é meu. Os atalhos da baixa e as lojas à antiga, os mercadinhos lado a lado com as lojas gourmet. E a estação, com pessoas a chegar e a ir embora para a terra. São os pequenos prazeres recônditos que me cativam e, um dia, quando deixar de estudar em Coimbra, vou ter saudades deste meu percurso, que tanta calma me sabe trazer no meio de tanta pressa.