1 de janeiro de 2015

Medo, muito medo

Quando o primeiro anúncio televisivo que vejo em 2015 é o do Futre e do estimulante sexual.

15 de dezembro de 2014

Coerência

Eu e o homem decidimos imitar animais. Às tantas diz-me ele: "imita uma vaca". Eu imitei. Chamei pela Voz.

2 de dezembro de 2014

Pois, também vi logo que era fruta a mais

Hoje estava lá na faculdade a comer um folhado de chocolate quando me lembrei que, da última vez que comi aquilo, fui a comê-lo pelo caminho que separa o edifício principal da faculdade do edifício 2. Era acabadinho de sair do forno, a nutella que preenche o interior daquilo escorregava por todos os lados e estava uma ventania do caraças. Arrependi-me logo de ir a comer aquilo na rua, mas pronto, sempre crente e nada a temer, continuei na minha vidinha. Chegada ao destino, está um bando de espécimes do sexo masculino a descer as escadas e, conforme eu subo, olham todos para mim, com um ar curioso, e eu ali a pensar logo na melhor maneira de dar uma palmadinha nas minhas próprias costas para me felicitar pela minha aparência, que chamou tanto a atenção dos moços. Pois, mas não. Percebi o motivo dos olhares quando, depois de ir ao wc, olhei para as minhas fuças no espelho e constatei que tinha um grande bocado de nutella mesmo acima da sobrancelha esquerda.

11 de novembro de 2014

Agora percebo que era tudo para o bem da comunidade

Os homens questionam-se sempre sobre as razões pelas quais o mulherio vai todo em grupo à casa-de-banho. Estão na danceteria a curtir o som e, de repente, lá vão elas, as duas, as três, as quatro, as vinte, todas juntas. Uns dizem que é para retocar maquilhagem e compor as mamocas (todas sabemos que a gravidade faz muito bem o seu papel, principalmente quando estamos a dançar), outros dizem que é para falar mal dos homens. Falando por mim, só vou à casa-de-banho com uma amiga quando a) não sei onde é e, como sou pitosga, é melhor prevenir-me, b) não sei onde é e também não sou muito boa a interpretar quando me explicam, ou c) estou já a sentir o efeito daquela caipiróska de morango. Mas hoje, hoje percebi que há uma outra razão que mais ninguém viu ainda (e sim, podem presentear-me com um Prémio Nobel, que seja criado um de propósito dedicado a esta situação!). Fui à casa-de-banho da danceteria, prestes a rebentar o saco das águas, e deparo-me com umas cinco moças na fila. Sobe-me um desespero pelo corpo acima, tento controlar-me para não me descer nada pelas pernas abaixo, já ponderava fazer mesmo no lavatório, que se lixe a dignidade... e eis que sai do único cubículo disponível a sua ocupante. E ouço, juntamente com um coro de vozes angelicais: "nós não vamos, podes ir, viemos só com ela". Foi alívio. Deu-me vontade de espetar um beijo redondinho e repenicado a todas as gaiatas e agradecer efusivamente. Afinal de contas, as mulheres também vão juntas à casa-de-banho para proporcionar momentos destes, de alívio e de paz com o Mundo. O altruísmo é uma coisa muito bonita.

10 de novembro de 2014

Automonitorização

Diz que é a "regulação do comportamento individual no sentido de responder às exigências de uma situação ou às expectativas de outras pessoas". E, assim de repente, consigo lembrar-me de umas quantas coisas que precisavam de automonitorização urgente:

- Comer de boca aberta;
- Falar de boca cheia;
- Mascar pastilha e fazer tchoc thoc thoc;
- Tossir para cima dos outros;
- Não devolver o que se pede emprestado;
- Coçá-los em público;
- Ajeitar as cuecas em público;
- Arrotar alto e bom som num restaurante ou em casa alheia;
- Dar puns em transportes públicos (o ar que circula não é tão facilmente reciclado, minha gente!);
- Não apanhar o cocó dos bichinhos (haviam de se borrar forte e feio para dentro dos sapatos de Vossas Excelências);
- Cuspir para o chão, principalmente se fizerem aquele som a puxar;
- Fumar para cima dos outros.

E podia estar aqui uns dias...