Eu, que tenho que me sentar à frente em altura de exames por causa do meu primeiro nome (que não existe para nada que não para me colocar sempre nos primeiros das turmas, não é fácil ser eu, digo-vos), fico ali colada à secretária dos vigilantes e sou vítima do barulho da converseta constante, enquanto estou a tentar concentrar-se em ler as perguntas que, por sinal, não ajudam nada, à custa do Português que eles usam e que não se percebe. A pergunta "descreva uma batata" acaba por se tornar num "identifique e explicite, sucintamente, as características corpóreas de Solanum tuberosum, planta perene da família das solanáceas".
29 de janeiro de 2015
1 de janeiro de 2015
Medo, muito medo
Quando o primeiro anúncio televisivo que vejo em 2015 é o do Futre e do estimulante sexual.
15 de dezembro de 2014
Coerência
Eu e o homem decidimos imitar animais. Às tantas diz-me ele: "imita uma vaca". Eu imitei. Chamei pela Voz.
2 de dezembro de 2014
Pois, também vi logo que era fruta a mais
Hoje estava lá na faculdade a comer um folhado de chocolate quando me lembrei que, da última vez que comi aquilo, fui a comê-lo pelo caminho que separa o edifício principal da faculdade do edifício 2. Era acabadinho de sair do forno, a nutella que preenche o interior daquilo escorregava por todos os lados e estava uma ventania do caraças. Arrependi-me logo de ir a comer aquilo na rua, mas pronto, sempre crente e nada a temer, continuei na minha vidinha. Chegada ao destino, está um bando de espécimes do sexo masculino a descer as escadas e, conforme eu subo, olham todos para mim, com um ar curioso, e eu ali a pensar logo na melhor maneira de dar uma palmadinha nas minhas próprias costas para me felicitar pela minha aparência, que chamou tanto a atenção dos moços. Pois, mas não. Percebi o motivo dos olhares quando, depois de ir ao wc, olhei para as minhas fuças no espelho e constatei que tinha um grande bocado de nutella mesmo acima da sobrancelha esquerda.
11 de novembro de 2014
Agora percebo que era tudo para o bem da comunidade
Os homens questionam-se sempre sobre as razões pelas quais o mulherio vai todo em grupo à casa-de-banho. Estão na danceteria a curtir o som e, de repente, lá vão elas, as duas, as três, as quatro, as vinte, todas juntas. Uns dizem que é para retocar maquilhagem e compor as mamocas (todas sabemos que a gravidade faz muito bem o seu papel, principalmente quando estamos a dançar), outros dizem que é para falar mal dos homens. Falando por mim, só vou à casa-de-banho com uma amiga quando a) não sei onde é e, como sou pitosga, é melhor prevenir-me, b) não sei onde é e também não sou muito boa a interpretar quando me explicam, ou c) estou já a sentir o efeito daquela caipiróska de morango. Mas hoje, hoje percebi que há uma outra razão que mais ninguém viu ainda (e sim, podem presentear-me com um Prémio Nobel, que seja criado um de propósito dedicado a esta situação!). Fui à casa-de-banho da danceteria, prestes a rebentar o saco das águas, e deparo-me com umas cinco moças na fila. Sobe-me um desespero pelo corpo acima, tento controlar-me para não me descer nada pelas pernas abaixo, já ponderava fazer mesmo no lavatório, que se lixe a dignidade... e eis que sai do único cubículo disponível a sua ocupante. E ouço, juntamente com um coro de vozes angelicais: "nós não vamos, podes ir, viemos só com ela". Foi alívio. Deu-me vontade de espetar um beijo redondinho e repenicado a todas as gaiatas e agradecer efusivamente. Afinal de contas, as mulheres também vão juntas à casa-de-banho para proporcionar momentos destes, de alívio e de paz com o Mundo. O altruísmo é uma coisa muito bonita.
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