3 de dezembro de 2015

As passadeiras e eu

Eu sou aquela pessoa que não atravessa uma passadeira se o semáforo estiver vermelho. Das raras vezes que o faço, começo a ver a minha vida a andar para trás. Sou aquela pessoa que fica do outro lado sozinha, à espera que fique verde, quando todos os outros já passaram. Isto é muito constrangedor. Há velhas com 80 anos a passarem com o vermelho porque não se vê nenhum carro num raio de 50 metros. Mas eu não, eu fico ali, com os grilinhos a tocar na minha cabeça, à espera que apareçam aqueles dez segundos iluminados a verde que me indicam que posso atravessar em segurança. Supostamente. "Então mas ó Panda e se não houver nenhum semáforo?" Boa pergunta. Se não houver semáforo, eu desacelero o passo (sim, isto é tudo muito calculado), quase até à velocidade de um caracol a morrer, para poder passar sem nenhum carro nas redondezas. "Então mas ó Panda e se isso não for possível?" Se isso não for possível, transpiro-me toda e atravesso, tentando manter a dignidade e acenando aos carros, em sinal de agradecimento por não me atropelarem.

2 de dezembro de 2015

Detesto ser fotografada

Se me tirarem uma fotografia e me apanharem despercebida, é na boa. Mas aquelas fotografias que se tiram em grupo são coisa para me revirar as entranhas. A cara que fazemos quando tiramos esse tipo de fotografias já é, por si só, pouco natural. Fica sempre este sorrisinho:


E, por norma, quem tira a fotografia não se inclui no grupo, por isso ainda tem que se habituar primeiro e ver onde está o botão da câmara. E ficamos ali, com o corta palha todo aberto, durante cinco minutos. Primeiro porque a pessoa não atina com o botão, depois porque há um atronhado qualquer que não se cala e depois porque há sempre aquela amiga chata que diz que não ficou bem em nenhuma. E só ao fim desses cinco minutos é que a fotografia já agrada a toda a gente. Menos a mim, que com o passar o tempo fiquei assim:


28 de outubro de 2015

É o bicho, é o bicho

Eu tenho um problema. Vá, mais um. É que, para além de ser completamente apanhada do clima, sou dura de ouvido. Mouca, mesmo. É a velhice, meus amigos, vocês lá chegarão. Mas dizia eu, que sou dura de ouvido e uma das muitas consequências que isso pode trazer à vida de uma pessoa é, nada mais nada menos do que, ouvir mal (muito mal) o que é dito nas músicas. Vejam o exemplo desta música, do grande Iran Costa. Ele diz:

É o bicho
É o bicho
Vou-te devorar
Crocodilo eu soooooou

Eu percebia:

É o bicho
É o bicho
Vou-te devorar
Corpo de loçãaaaaao

...

E quando descobri que era "crocodilo eu sou" que ele dizia, para aí 355 anos depois, percebi porque é que as pessoas me olhavam de lado sempre que eu cantava isto no Carnaval.













Corpo de loçãaaaaaaao!

27 de outubro de 2015

A (minha) vida tem destas coisas

Houve um convívio qualquer em Coimbra, por altura de uma Latada ou de uma Queima, e no qual eu decidi marcar presença. A noite não estava a ser grande coisa. Nem sequer bebi nada, o que torna toda a história ainda mais triste, porque só o álcool poderia desculpar o que sucedeu. Eu estava com os meus amigos, chateei-me por aquilo estar a ser uma seca, lembrei-me da minha rica cama e decidi zarpar para casa. A casa onde eu vivia na altura era de três pisos e eu tinha que passar mesmo nas casas dos outros para ir para o meu andar, o terceiro. Subi as escadas e até hoje ainda não encontrei explicação para o que aconteceu, talvez estivesse tão cansada que achei que não precisava de subir mais, mas fiquei no segundo piso. A porta dos vizinhos não estava trancada, porque se estivesse, eu ainda tinha travado a tempo de não ir parar a uma cozinha que não era a minha, plenamente confiante naquilo que estava a fazer. Só me apercebi quando vi uma cozinha mais ampla do que a minha e estranhei o espaço tão aberto. O que me valeu foi que era altura de festa e nem estava ninguém em casa, senão teria sido ainda mais triste.

22 de outubro de 2015

Assim acontece, às vezes

Panda chega à Faculdade mais cedo do que é preciso, para ver se ainda estuda alguma coisinha antes das aulas. Aquilo está cheio, pois que é a hora de almoço, e só se vê uma mesinha ao fundo. Panda chega e não há cadeiras, apenas um monte delas empilhado ao lado da mesa. Panda tira uma e senta-se. A cadeira está estragada e quase que se abre toda ali (as pernas escorregaram cada uma para seu lado). Panda não se esbardalha porque Jesus tem pena e não deixa. Panda recompõe-se, afasta a cadeira para o lado e vai buscar outra, tentando manter a pose. Panda senta-se. A segunda cadeira tem o mesmo problema.