27 de fevereiro de 2015

Amanhã


Pela primeira vez em 24 anos de vida, vou ver um joguinho. 

Ó miga!

Dirijam-se a mim como quiserem. Podem arriscar-se a que goste ou vire as costas e deseje um mundo sem descendência vossa. Mas nunca, por nada, me tratem por "miga". "Miga" é aquele trato que eu não consigo suportar. "Ai, ó miga, desculpa lá". Não, não, não. Soa a falso, a cínico e a arrogante. E o pior é que é recorrente, mas é tão Casa dos Segredos, é tão saia curta e decote até aos calcanhares, é tão hashtags e yolos, que eu não consigo aguentar. Claro que, na maioria das vezes, só me sai um sorriso amarelo, porque eu não me submeto às minhas vontades de arrancar as orelhas à chapada com frequência (vejam vocês, sou tão calminha), e bem sei que as minhas amigas, algumas, o dizem especialmente para me chatear, porque sabem que eu não gosto e, nesse caso, lá me sai um "miga" de retorno e rio-me. Mas quando estiverem a falar comigo a sério, pela vossa saúde, não me toquem no bracinho e me chamem "miga", muito menos com o "ó" atrás, porque fico com nervos, e eu sofro, que sofro, dos nervos, e com uma vontadezinha de vos espremer a serotonina toda que têm no corpo. Sim? Prooooonto.

26 de fevereiro de 2015

O que a Panda gostava de ver (ou de alguma vez ter visto) em concerto

Não está por ordem, só mesmo as duas primeiras.

- Queen 
- Muse
- Coldplay 
- The Script 
- Pink Floyd 
- Guns and Roses
- Imagine Dragons
- Arctic Monkeys
- Frank Sinatra
- Norah Jones
- Maroon 5
- AC/DC
- One Republic
- U2
-Tony Bennett
- Leonard Cohen
- Joe Cocker
- Jeff Buckley
- Simon & Garfunkel
- Oasis
- Pearl Jam
- Placebo
- The Beatles
- The Rolling Stones
- Eminem
- Led Zeppelin
- Nina Simone
- Shakira
- John Mayer
- Kings Of Leon
- The XX
- Keane
- Depeche Mode
- REM
- Dire Straits
- Sting
- Nirvana
- Joan Jett
- Cindy Lauper
- Bruce Springsteen
- Bryan Adams
- Rod Stewart
- The Police
- Katie Melua
- Gorillaz

Sim, sou um pouco esquizofrénica a nível musical. E se calhar há muitos mais. Mas para já, que me lembre assim de repente, é isto.

25 de fevereiro de 2015

Hoje, foi hoje

Foi hoje que eu senti aquela aragem, mas nem liguei, porque está um frio dos tomates e eu não sou de ferro. Foi hoje que, só por acaso, me fartei de levantar a camisola para agarrar nas presilhas e puxar as calças, que me caíam invariavelmente, para cima. Foi hoje, precisamente hoje, que andei o dia todo com a braguilha aberta.

24 de fevereiro de 2015

Aguento sempre até casa e quase que marco o território à porta

Lembro sempre com um misto de tristeza, pena e vergonha todos os momentos em que a maldição cai sobre mim e me dá vontade de ir fazer chichi quando estou no comboio, já para sair em Coimbra-B, uma vontade daquelas que parece que se me vai arrebentar ali a bexiga, e tenho mesmo, mesmo, mesmo que ir à casa-de-banho da estação, deparando-me com um dilema muito complicado: ou entro e deixo a mala cá fora, porque não há espaço para nós as duas, arriscando que me roubem tudo o que tenho lá dentro, ou não entro e mijo-me toda pelas perninhas de alicate abaixo e sofro a vergonha, enquanto grito às pessoas que sou incontinente e que, parecendo que não, esta menina que aqui está tem 60 anos acabadinhos de fazer e que está é muito bem conservadinha.

Então, blogger?


Fazes-me assim, à cara podre, uma desfeita destas? Logo hoje, que eu ia começar uma rubrica toda ela sexualmente explícita nos seus conteúdos fotográficos? Não se faz, não se faz!

23 de fevereiro de 2015

Why, God, why

Andei a semana toda, todinha, a pensar cá para os meus botões "domingo - Óscares, domingo - Óscares, domingo - Óscares". Eis que chega o domingo. Vi os Óscares? Nope. Adormeci.



22 de fevereiro de 2015

Tché

Voltar às aulas em Coimbra é sinónimo de ficar, inevitavelmente, com música de preto (no racist!) na cabeça. Cada esquina sua kizombada.

É a Controla, do Badoxa. My life is sad.

Vamos lá a uma de ódiozinhos de estimação, vamos?

Quando me ligam e eu não posso atender no momento, rejeito a chamada e, mesmo assim, passado um minuto, ligam-me outra vez. E outra, e outra.
Quando acontece o supramencionado, mas, desta vez, eu ligo para trás logo que posso e a pessoa não me atende. E quando já não me devolvem a chamada?
Quando estou a tentar ouvir televisão e a comer cereais ou batatas fritas ao mesmo tempo. É suposto ser um pedacinho de paraíso, mas não é, porque não se ouve nadinha.

E é tudo, por agora.

20 de fevereiro de 2015

Proceed with what you're leadin' me to


Marrar

Tenho uma tendência inexplicável para marrar com os joelhos ou com os cotovelos na mobília. Todos os dias, lá estou eu a marrar. Se estiver em casa, o cotovelo marra nas portas da banheira; se estiver em Coimbra, o joelho marra nos cantos da cama; se estiver em Lisboa, até no vazio do ar eu marro, é impressionante. Ontem, dei cabo do joelho. Muito feliz, muito feliz, mas lesionada. Marrei onde, perguntam vocês? No joelho do meu homem. Que me pareceu, honestamente, feito de ferro. Parece que até consegui ouvir o meu joelho em prantos, a dizer três asneirolas seguidas e a maldizer o joelho que o atacou. Agora cá estou, com dores na porcaria do joelho. E milagre vai ser se, até ao final do dia, não marrar com ele outra vez. Desgraçado.

19 de fevereiro de 2015

Praise the Lord!

Comprei 1kg de Estrelitas.

E não, ainda não aprendi a comer de boca fechada.

17 de fevereiro de 2015

That awkward moment

Uma pessoa está muito bem a pesquisar uma definição no Priberam, quando, de repente:


Na minha ignorância, pensava que Jajão era o nome que ela dava ao moço. Nunca, na minha vida, pensei que Jajão fosse uma palavra com, realmente, significado. Mas é, ó:

"Origem obscura"? Não quererão dizer "escura"? (vá, foi a brincar!)

E isto modifica a minha vida. Porquê, perguntam vocês? Ora, porque agora, sempre que quiser dizer "epá, tu tens é garganta!" vou dizer "epá, tu tens é jajão!" e, parecendo que não, passo a ser perspectivada como uma pessoa moderna. Uma da cena.

16 de fevereiro de 2015

Raios partam o homem

Hoje bem que podia ter ficado a dormir. Fizemos contas que até uma criança faria. Se bem que, nos dias que correm, há muitas crianças a perceber mais de matemática do que muitos adultos, mas isso agora não interessa. Interessa que perdi horas de sono, minha gente, e eu sou uma pessoa que sofre dos nervos (e do sono, como se constata pelo post anterior, depois, enfim, acontece aquilo). No fim da aula, tivemos que levar com um vídeo da tabuada, cantado, de onde só retive a frase "com os seus rabinhos fazem lequinhos" e outro vídeo, de um tal de Iberê Thenório, do qual só retive este nome. De maneira que é assim, estou mal disposta.

4:40

Estou com uma insónia terrível. Precisava do teu calor. Queria ouvir a tua voz, só para que o meu coração parasse com as pontadas. Tu estás a dormir, aí longe. Lembrei-me que gostava de ter um vídeo nosso, mas, estranhamente, nunca nos filmámos. Formei uma imagem na minha cabeça, do vídeo inexistente que gostaria de ter agora nas mãos, para poder matar estas saudades que me enchem de vazio. Imaginei-nos na praia, com o vento a envolver os meus cabelos e a franzir os nossos olhos. Sou eu que estou a filmar e estamos a aparecer os dois. Eu estou a falar, falo sempre, falo até demais. E rio-me, muito, porque tu estás ali e eu ainda sinto aquela vergonha que antes me impedia de te olhar nos olhos. Digo-te para dizeres alguma coisa e tu, à boa maneira de quem procura irritar-me, dizes "alguma coisa". E eu rio-me, muito, porque já esperava. E porque, ainda que te espere, surpreendes-me sempre. Acho que é por isso que te amo. Porque és surpresa para mim. Todos os dias acordo e penso se terei sonhado ou se, de facto, és tu quem faz os meus dias. E és. És mesmo. Dás-me um beijo e eu roubo-te outro. Digo "adeus" para a câmara e interrompo o filme. Porque, neste momento, era o que eu faria. Interrompia tudo e ficávamos só nós, a areia fria e o som da rebentação. Sentava-me, quero lá saber das calças de ganga, encostava-me ao teu peito e o sol punha-se, enquanto respirávamos. Só existíamos. Nada mais do que isso. A nossa existência e um amor dos que arranham as entranhas.

15 de fevereiro de 2015

Isto faz parte de um livro chamado "A Medicina Na Voz do Povo"

Este é longo, mas vale bem a vossa pena. Eu fui às lágrimas e agarrei-me com a força toda à minha barriga. São histórias de consultório, compiladas por um médico Otorrino e alguns colegas, da Invicta. Vamos lá:

Aparelhos genital e urinário
- Venho aqui mostrar a parreca.
- A minha pardalona está a mudar de cor.
- Às vezes prega-se-me umas comichões nas barbatanas.
- Tenho esta comichão na perseguida, porque o meu marido tem uma infecção na ponta da natureza.
- (o médico pergunta quantos filhos teve) Para a retrete foram quatro, senhor doutor, e à pia baptismal levei três.
- Apareceu-me uma ferida, não sei se de infecção, se de uma... mal dada.
- Tenho de ser operado ao stick. Já fui operado aos estículos.

Boca, olhos, ouvidos, nariz e garganta
- Quando me assoo, dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo corpo, suar, ou o c*, o nariz não se destapa.
- Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho.
- Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido.
- Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída.
- Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as lágrimas saíam.
- Tenho a língua cheia de Áfricas.
- A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor.

Perturbações da fala
- Na voz, sinto aquilo tudo embuzinado.
- Tenho humidade gordurosa nas cordas vocais.
- O meu pai morreu de tísica na laringe.

"Problemas da cabeça"
- Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João.
- Andei num Neurologista e disse que parti o penedo, o rochedo, ou lá o que é...
- Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam para nós.
- Vêm-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima...
- Ou caiu da burra ou foi um ataque cardeal.

Aparelho muscular e esquelético
- Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência para a tensão alta.
- O pouco cálcio que tenho acumula-se na fractura.
- Já tenho os ossos desclassificados.
- Além das itroses tenho classificação ossal.
- O meu reumatismo é climático.
- Tenho artroses remodeladas e de densidade forte.
- Estou desconfiado que tenho uma hérnia de escala.

De quem bebe e fuma
- Eu abuso um pouco da água do Luso.
- Eu sou um fumador invertebrado.

Aparelho digestivo
- Fui operado ao panquecas.
- Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina.
- Ando com o fígado elevado. Já o tive a 40, mas agora está mais baixo.
- Tenho pedra na basílica.
- O meu marido está internado, porque sangra pela via da frente e pinga pela via de trás.
- Fiz uma mamografia ao intestino.

Medicamentos
- Ando a tomar o Esperma Canulado. (Espasmo Canulase)
- Tenho cataratas na vista e ando a tomar o Simião. (Sermion)
- Andei a tomar umas injecções de esferovite. (Parenterovit)
- Agora estou melhor, tomo o Bate Certo. (Betaserc)
- Ando a tomar o Castro Leão. (Castilium)
- Tomei Sexovir. (Isovir)
- Receitou-me uns comprimidos que me põem um pouco tonha.
- Estava a ficar com os abéticos no sangue.
- Quando acordo mais descaída, tomo comprimidos de alta potência e fico logo melhor.
- Ó sra. enfermeira, ele tem o cu como um véu, o líquido entra e nem actua.

13 de fevereiro de 2015

Ai, pá!

Matam-me com estas adaptações, fico sempre a morder-me toda até chegar a altura em que posso, finalmente, ir ver. Vamos lá aguardar ansiosamente!

12 de fevereiro de 2015

Isto das Cinquenta Sombras lembra um pouco a Casa dos Segredos

Ninguém gosta, o livro não presta, o filme é de chacha, mas vai-se a ver e não se fala de outra coisa.

O poder das sweats

Quando era miúda, sim, porque eu agora sou uma senhora crescida, chegada à minha adolescência, do alto dos meus 14 aninhos, tive uma fase em que queria deixar as camisolinhas cor-de-rosa e azul bebé, os pólos e as camisas para sempre. Quis ser como a Avril Lavigne, a moça baril (já ninguém diz "baril", pois não?) da gravata, das caveiras, das Converse e do top de atleta. Nada feito, claro está, porque os meus pais não me permitiriam tal, e ainda bem, mas virei-me para a única coisa que eles me deixariam usar e que podia, potencialmente, ter aquele swag da altura. Eu queria ser mázona, pronto. Claro que franzina como eu era e com uma cara angelical, completamente copinho de leite, nunca ia conseguir. Mas bem, tentar não custa. Então virei-me para as sweats. A primeira vez que comprei uma sweat foi, para mim, um momento inesquecível. Usei-a logo no dia seguinte, orgulhosa, a mostrar a todos os meus colegas que já não era a retardada de sempre, que agora usava sweats e era uma miúda da cena. Podia ter resultado, claro que podia. Mas não. A minha sweat era cor-de-rosa e dizia "Pretty Girl". É assim, a vida.

Devem querer que eu chore



A vossa Panda corou e sentiu-se muito bem, tendo vertido, até, uma lagrimita (o que não é de estranhar. Já vos disse que sou muito sensível? Uma vez chorei porque estava uma noiva a pentear-se na minha cabeleireira. Fiquei feliz por ela, que querem. Párem lá de rir, vá). Ainda por cima, foram logo os dois no mesmo dia. Assim o meu coraçãozinho não aguenta.

11 de fevereiro de 2015

E por acaso ontem caí

Foi uma experiência engraçada, já não caía há muito tempo. Sim, porque, apesar de eu desafiar constantemente as leis do equilíbrio e de ser uma autêntica avestruz a caminhar, é raro eu descoordenar-me ao ponto de cair. O que é de louvar. Mas ontem, a sangria falou pelos meus pés. Rodopiaram-me pelo bracinho e malhei. Mas comme il faut, atenção. Nada de cair aparatosamente, nem de deixar a marca do cóccix no chão da discoteca. Não, nada disso. Sabem aqueles desmaios típicos de filme, que acontecem às moças quando vêem um jeitosão ou coisa do género, em que esticam o lombo para trás, atiram os bracinhos ao ar e caem assim, com um suspiro, em câmara lenta? Foi mais ou menos isso. Só que não houve lombo a cair para trás. Foi tudo para o lado. Menos dramático também, porque não teve suspiro. Mas caí em câmara lenta, foi a primeira vez que me aconteceu, e foi impecável. Tive tempo para pensar qualquer coisa como "olha, estou a cair. Vou ao chão. Mas vou mesmo, e é de ladex. Que fixe, as caras dos monhés que estão comigo" e, finalmente, malhei. Sabem aquela foto do Cid, do outro dia? Foi quase essa a posição em que fiquei. E depois? Depois fiquei a rir-me e houve para aí cinco solícitos que me esticaram as mãozinhas, para me ajudar a levantar. 

Mais ou menos assim. Só que triste.

Levantei-me sozinha.

Da noite

Não, não me atirei aos Mojitos. Não deu para ir ali ao Moelas, que é onde "costumo" encharcar a vela a beber essas maravilhas. Uma pena. A noite acabou às cinco da matina, que não era nada do que eu queria. Mas sabem a que conclusão chego? Já não estou para isto. Estou demasiado velha para estas andanças. Está-se tão bem em casa a ver filmes... E já não tenho paciência para bêbedos.

10 de fevereiro de 2015

Féta, rabo gordo e panados

Acabei de almoçar agora. Hoje não tinha aulas, porque o horário ainda não está completo. Então ontem, aliviada de responsabilidades, decidi que me ia pôr a fazer o que me apetecesse, rabo gordo sentado na cama, robe, pijama e comida. Fui dormir lá para as 4h da manhã. Acordei hoje eram 3h da tarde. Fiz uns 12 panados de perú (e sim, vou comê-los todos e não, não era minha intenção usar os 12 de uma vez - foi um erro, crasso). Comi. Estava bom. Agora vou assentar o rabo gordo na cama, de robe e pijama, a fazer o que me apetecer. Vou mesmo, que amanhã já tenho aulas de novo. Logo à noite vou sair e vou-me atirar aos Mojitos, que eu sou pessoa para gostar muito daquilo, ainda que o álcool não seja o meu forte. Féta, é féta!

9 de fevereiro de 2015

Prepara, que agora é hora

Há um professor que bate mal. Mas é que frita mesmo da pipoca. Ele é fumar nas aulas, ele é trancar os alunos à chave para ninguém sair, ele é dizer asneiras das boas e ele é uma data de picuinhices, que tornam aquele personagem num dos mais peculiares (e odiados, também) que já conheci. Claro que ninguém está à espera, quando têm a primeira aula, daquilo que lhes calhou na rifa. E é precisamente por isso que é tão divertido ir à primeira aula do semestre das duas cadeiras que o senhor lecciona. Porque olho em volta e só vejo pessoas a controlarem-se para não rir, ou então, bocas abertas em choque, numa incredulidade e inocência divinais, que fazem com que, para mim, que já conheço aquilo de gingeira, seja um show de bola. E é tão divertido.

8 de fevereiro de 2015

A última bolacha do pacote

Nunca, em toda a minha vida, fui a última bolacha do pacote. Na primária, era a menina mimada, a bebézinha e a de bem (ao menos isso!), porque os meus pais me compravam roupa cara, daquela com golinhas redondas e folhos a mais para um só par de meias. Era a magricela, a frágil, a da franjinha e do cabelinho curto, sempre demasiado penteado. Era a dos sapatinhos finórios. No básico, era a que não tinha curvas, a tira-linhas e a miúda das calças foleiras de bombazine a quem a mãe escolhia a roupa. Tinha que andar sempre de cabelo apanhado, sem excepção, senão tinha sermão e missa cantada. Claro que tirava sempre o meu elástico, assim que me apanhava na escola, na esperança de vir a ser como as gajas boas lá do sítio. Mas nunca era. Era sempre a betinha, a pouco engraçada, a mimada e a magricela. As minhas amigas eram as populares, à falta de melhor expressão, mas, ainda assim, eu ficava sempre na sombra. Nunca tinha as calças da moda, aquelas horrorosas da pata do elefante (meu Deus!, mas na altura era o que mais queria), nem umas botas de que realmente gostasse. Todos os Invernos era obrigada a usar aquelas, sempre do mesmo estilo: pretas, cano alto e ao jeitinho do sapato ortopédico. Se era gozada? Era, sempre. No secundário, era a croma, a do aparelho, a que levava com a bola no focinho em Educação Física porque fechava os olhos. Era a que nunca podia ir a pé para casa, nem sair para lanchar com os colegas, nem sequer ir a visitas de estudo (a primeira vez que fui, foi só porque ia aparecer na televisão, num programa da Serenela Andrade). E Deus me livre de pedir para ir à viagem de finalistas! Era sempre a magricela, a pouco divertida, a descoordenada, a desajeitada e a que se engasgava toda quando tinha que apresentar os trabalhos para a turma. Nunca fui a última bolacha do pacote, nem mesmo agora, apesar de me ter tornado bem diferente daquilo que sempre fui. Continuo desajeitada, croma e descoordenada, é verdade que sim, mas dou a volta (às vezes lá corre mal), talvez porque já não me importo como me importava naquela altura e, também, porque me permito um pouco mais. Nunca me queixava de nada, mas sabia que nunca seria uma miúda feliz enquanto andasse na escola. E, eventualmente, todos aqueles anos em que eu nunca era o suficiente, nem para mim nem para nenhuma outra pessoa, deixaram a sua marquinha. Mas agora que já não ando na escolinha, agora que se passaram 4 anos de Faculdade e que estou nos meus 24 anos (bem sei que ainda tenho muito que aprender), cheguei a uma conclusão: será impossível ser uma miúda feliz, enquanto a minha felicidade também depender de pessoas nas quais não penso antes de ir dormir. Enquanto, na minha cabeça, estiverem todos os "magricela", os "estranha", os "mal vestida" e os "pernas de palito", não conseguirei ser feliz. Preciso de deixar isso para trás. Preciso, não de ser, mas de me sentir a última bolacha do pacote. Isso fará de mim tudo o que eu quiser ser. Basta deixar-me levar e irei lá dar. Mas é fácil escrever!

7 de fevereiro de 2015

Então e férias, hum? Ou pausas, vá...

Quê? Que é isso? Pois que vou directamente (e este estrôncio corrigiu-me directamente. Directamente! Directamente!) dos exames para as aulas. Aliás, nem vão muito longe, eu vou ter um exame imediatamente antes de uma aula. Ah, caneco. A mulher não me soube corrigir aquilo com tempo e, um exame que era para ter sido ontem, passou para segunda-feira, coisa que nunca na vida tinha acontecido. Nem 48 horas de descanso eu vou ter, meus amigos, nem isso! Tão bom. Rezem, vá. Rezem por mim.

6 de fevereiro de 2015

Panda também sabe ser romântica

E, como tal, já que se aproxima aquele dia de que toooodos gostamos (nope), eu também me sinto no direito de dar as minhas sugestões, para vocês, minhas bambuzinhas, darem aos vossos respectivos. Os meninos, que me desculpem, mas olhem, não sei, amanhem-se. Aqui vai:

- Tampões para os ouvidos (acho que ele ia achar isto bastante útil);
- Um Aston Martinzinho (por favor, quem é que não tem um porquinho mealheiro com uns trocos para gastar num Vanquishzito?);
- Qualquer coisa que lhe coce as costas sem ele ter que mexer um dedo (e que não seja uma daquelas mocinhas das massagens suecas);
- Um poster enorme vosso, daqueles que ocupam uma parede inteira (assim ao jeito daquela foto do Cid, em que ele está a tapar as preciosidades com um disco de Ouro, naquela posição de "draw me like one of your french girls"), para ele NUNCA se esquecer de quem o ama MUITO, MUITO, MUITO, de quem está SEMPRE a observá-lo e, principalmente, para ter para onde olhar sempre que se sentir sozinho e não conseguir dormir à noite (em vez de pesquisar "badalhocas ruivas" por essas internetes fora);

Não agradeçam!

- Uma flor para ele tomar conta, como se da vossa relação se tratasse (dêem-lhe um mini cacto, ou assim, para não apanharem uma desilusão, que isto nunca se sabe);
- Uns naperonzinhos lá para casa, para não se notar o pó que ele nunca limpa (caso ele viva sozinho);
- Um peluche daqueles que têm um urso a agarrar um coração, onde se pode ler "te amo, meu amor".

E bem, sensação de dever cumprido, portem-se bem, sim? Prooonto.

4 de fevereiro de 2015

Zebedeu

Eu e o homem estávamos para aqui a ver uma lista de nomes para meninas (não perguntem). Quando cheguei ao Z, fui espreitar os dos meninos.

- Zacarias e Zebedeu.
- Zebedeu?
- Sim, Zebedeu.

Ele ri-se, eu rio-me e ele diz: "Então, como é que se chama o teu filho?", "Zebedeu", "Zebedeu? Aaaah, tavazzz'bêbedo!"

...

Não sou dama de Facebook

Estava aqui a fazer o download do Spotify para um efeito muito específico e lembrei-me que, da primeira vez que ouvi falar daquilo, já aquilo corria o mundo, foi algo como:

- Tens Spotify?
E eu, à minha maneira, retorqui:
- Quem?

E pronto, foi a escandaleira. O quê, mas como, COMO é que era possível eu não ter Spotify? Pior ainda, não conhecer! Que loucura, viveria eu numa gruta? Porque aquilo é tão conhecido, porque toda a gente - TODA a gente - gosta daquilo, o que é que andava eu a fazer, afinal? Seria deste mundo? E a mesma coisa aconteceu quando andaram aí com a maluqueira dos Vines. Que aquilo era só a melhor coisa de sempre e, que raios, como era possível, com o que é que eu me divertia afinal? COM O QUÊ? E, frequentemente, lá me pedem o Facebook. É o drama, o horror, a tragédia, quando eu digo que não tenho. "Não quê? Como não tens? Então mas... Como é que vives? Como é que respiras? COMOOO?" Ou então dizem-me "olha, tu é que fazes bem, tu é que és inteligente, que aquilo é uma porcaria" e béu béu béu, pardais ao ninho. 

- Então mas, se é uma porcaria e se não gostas, porque é que não cancelas a conta?
- Oh... Pois.

Pois. Depois não se respirava. Já me esquecia.



2 de fevereiro de 2015

Como é que começou o teu dia, hoje, Panda?

Muito bem. Tirando a chuva que caía a rodos, o guarda-chuva que se virou três vezes, a escorregadela que dei na passadeira, as calças de ganga que ficaram encharcadas, a tentativa falhada de as secar naquela cena das mãos que está no wc, as duas moças a olharem para mim e a conterem o riso enquanto esperavam pela vez delas e me observavam naqueles malabarismos, e ter que fazer o exame com os joelhos a parecer uma geladeira (como dizem os zucas)... Muito bem.