11 de novembro de 2014

Agora percebo que era tudo para o bem da comunidade

Os homens questionam-se sempre sobre as razões pelas quais o mulherio vai todo em grupo à casa-de-banho. Estão na danceteria a curtir o som e, de repente, lá vão elas, as duas, as três, as quatro, as vinte, todas juntas. Uns dizem que é para retocar maquilhagem e compor as mamocas (todas sabemos que a gravidade faz muito bem o seu papel, principalmente quando estamos a dançar), outros dizem que é para falar mal dos homens. Falando por mim, só vou à casa-de-banho com uma amiga quando a) não sei onde é e, como sou pitosga, é melhor prevenir-me, b) não sei onde é e também não sou muito boa a interpretar quando me explicam, ou c) estou já a sentir o efeito daquela caipiróska de morango. Mas hoje, hoje percebi que há uma outra razão que mais ninguém viu ainda (e sim, podem presentear-me com um Prémio Nobel, que seja criado um de propósito dedicado a esta situação!). Fui à casa-de-banho da danceteria, prestes a rebentar o saco das águas, e deparo-me com umas cinco moças na fila. Sobe-me um desespero pelo corpo acima, tento controlar-me para não me descer nada pelas pernas abaixo, já ponderava fazer mesmo no lavatório, que se lixe a dignidade... e eis que sai do único cubículo disponível a sua ocupante. E ouço, juntamente com um coro de vozes angelicais: "nós não vamos, podes ir, viemos só com ela". Foi alívio. Deu-me vontade de espetar um beijo redondinho e repenicado a todas as gaiatas e agradecer efusivamente. Afinal de contas, as mulheres também vão juntas à casa-de-banho para proporcionar momentos destes, de alívio e de paz com o Mundo. O altruísmo é uma coisa muito bonita.

10 de novembro de 2014

Automonitorização

Diz que é a "regulação do comportamento individual no sentido de responder às exigências de uma situação ou às expectativas de outras pessoas". E, assim de repente, consigo lembrar-me de umas quantas coisas que precisavam de automonitorização urgente:

- Comer de boca aberta;
- Falar de boca cheia;
- Mascar pastilha e fazer tchoc thoc thoc;
- Tossir para cima dos outros;
- Não devolver o que se pede emprestado;
- Coçá-los em público;
- Ajeitar as cuecas em público;
- Arrotar alto e bom som num restaurante ou em casa alheia;
- Dar puns em transportes públicos (o ar que circula não é tão facilmente reciclado, minha gente!);
- Não apanhar o cocó dos bichinhos (haviam de se borrar forte e feio para dentro dos sapatos de Vossas Excelências);
- Cuspir para o chão, principalmente se fizerem aquele som a puxar;
- Fumar para cima dos outros.

E podia estar aqui uns dias...

7 de novembro de 2014

6 tipos

1. O engatatão
Sempre armado ao pingarelho, tanto estilo que parece um grilo, este aqui é daqueles que se tornam enjoativos com o tempo. Só vê rabos de saias à frente e é mais frequentemente visto a coçá-los numa esplanada ou na disco night. Usa as palavras da praxe, pois claro, "princesa" e "linda" não falham.

2. O menino da mamã
A mãe é a mulher da vida dele, tudo o que a mãe faz está certo e só ela é que faz bem. Cozinhar para este gaiato ou fazer as lides da casa à frente dele pode ser uma tarefa dolorosa, se não o soubermos fazer exactamente como a D. Arlinda.

3. O nerd
Jogos, computadores e mais jogos. A casa pode estar a arder, mas se eles estiverem a jogar não dão por ela. 

4. O fervoroso do futebol
O Benfica é o nosso grande amoooooooor! É um futebolista de alma. Vive do futebol e para o futebol. E se a mulher alinhar numa jola, tremoços e Benfas, ele casa-se.
(Aqui usei o SLB porque é o meu clube - shiu)

5. O taradinho por anime 
Vistam-se lá de uma personagem qualquer de anime e o moço vai ficar tolinho da cabeça. Se for Hentai, então, é capaz de ter um ataque. Preparem-se para muito Cosplay nesta relação.

6. O engraçadinho
Não fala a sério, nunca. Goza, muito. Irritante de fazer doer nos ossos. Tendências para ser infantil.

Run, Forrest, run

A ironia de chamar Forrest a uma tartaruga pareceu-me mesmo pertinente quando comprei a minha há um ano atrás, não exactamente por este dia, mas não me recordo ao certo. Uma tartaruga semi-aquática, verdinha que nem uma alface, assustadiça e bebézinha, pequenina como um botão. Não comia nada, cabia num áquaterrário daqueles com palmeira no meio, cor-de-laranja como eu o quis na altura, e tive medo, muito, que hibernasse. Afinal de contas, não tinha comprado uma tartaruga para a ver morrer logo a seguir. Não posso ter um cão, como tanto queria, que os meus pais não estão para aí virados, e, como tal, tirando os peixes e os pássaros que já tive, a minha tartaruga ia ser o que, para mim, mais se assemelhava a um animal de estimação. Comprei-lhe, pois, um termóstato, para evitar que ela hibernasse e tentei de tudo para que começasse a comer. Cheguei a dar-lhe à boca, e nada. Disseram-me para lhe dar fiambre e foi aí que ela descobriu os prazeres da alimentação. Comia fiambre que nem uma maluca. Depois, finalmente, aceitou os sticks e os camarões, minúsculos e mal-cheirosos que só eles, mas pronto, gostos não se discutem. Agora, um ano depois, está maior que a minha mão e come dedos se for preciso. Tem um áquaterrário de vidro, todo xpto, mas até esse já começa a ser pequeno. Caminha pelo chão da casa muitas vezes, todos os dias, gosta de coscuvilhar tudo e borra-me a casa toda, a porca. Está pesada, qualquer dia tenho um crocodilo em casa, em vez de uma tartaruga, e vou passeá-la à rua. Vão ver. Deixo uma foto de quando a tinha comprado há pouco tempo, já que, de agora, só tenho vídeos.



As castanhas

Gosto de estudar em Coimbra. É uma cidade antiga, cheia de tradição, capas negras e calçada. Mas o meu pequeno prazer em Coimbra é, talvez, diferente dos prazeres mais queridos pelos que lá estudam. Digo-vos que, para mim, é ir a pé de minha casa, que fica perto da Praça da República, até à estação nova. Aquele percurso, que me leva cerca de vinte minutos, ou meia-hora se eu for mais devagarinho, sabe-me pela vida, principalmente no inverno, quando o tempo consegue ser amigo e não começa a chover. Hoje fiz esse percurso outra vez, já há muito que não o fazia. O ar congelava os ossos, o céu estava carregado de cinzento, o piso escorregava e os carros levavam as luzes. As pessoas, todas diferentes e todas iguais, os estudantes e os coimbrinhas, os que vestiam capa e batina e os que apenas carregavam a pasta, todos na sua correria diária, sem prestar grande atenção a caras e ao movimento da cidade e eu passava por todos eles, de mala atrás, e o tempo parava a cada cara que se cruzava no meu caminho. E a senhora das castanhas, com o seu carrinho de fumo, muito velhinha, e o cheirinho no ar, e a música de rua, o fado que também é meu. Os atalhos da baixa e as lojas à antiga, os mercadinhos lado a lado com as lojas gourmet. E a estação, com pessoas a chegar e a ir embora para a terra. São os pequenos prazeres recônditos que me cativam e, um dia, quando deixar de estudar em Coimbra, vou ter saudades deste meu percurso, que tanta calma me sabe trazer no meio de tanta pressa.

5 de novembro de 2014

Slogans

Lembram-se da publicidade do Quim Roscas e do Zeca Estacionâncio? Hits como a Vaselina Maria Inês e os escapes Carvalho, lembram-se? Pois bem, eu, Panda, cheguei com slogans inventados por mim, em pleno dia de procrastinação desenfreada e sem qualquer sentimento de culpa aliado. Vocês podem perfeitamente adicionar os que quiserem ali aos comentários, que até é mais giro assim. Aqui vai:

- Persianas Castanhol: tapam o vento, a chuva e o sol.
- Debulhadoras Fibril: nunca uma máquina agrícola foi tão baril.
- Biqueiras Guru: um pontapé e fica sem cu.
- Mesas Toscana: se puser papelinhos por baixo, não abana.
- Colchões de água Errera: um furinho e já era.
- Bidés Areeiro: lavam os pés, as partes e o cagueiro.
- Colchões Manilho: compre um e faça um filho.

Tá difícil

Eu bem que tentei ignorar a onda do Não Me Toca e isso tudo, mas, reconheçamos (que eu também sou menina para dar o braço a torcer de vez em vez), que quando alguma coisa se torna viral nós deitamos o olho. Neste caso, o ouvido também. E eis que dei por mim a passar os olhos pelas letras do Anselmo, depois de ouvir até à exaustão as músicas do moço sensação a passar na rádio e nos bares e em todo o sítio e mais algum. Comecemos, pois então, que se faz tarde:

1. Eu te disse que eu era inocente, baby
Esta é aquela do "eu bem te disse pra estares masé caladinha, que não esteve nenhuma moça de leste no meu quarto, aquilo no cobertor eram os pêlos do Labrador da vizinha, eu bem te disse, mas tu és sempre a mesma coisa, pá, sempre a mesma coisa". Ali o "baby" é para dar uma pitadinha de doçura.

2. O teu ciúme no teu ouvido pôs algodão
Não foi o ciúme, Anselmo. Ela não está é para te ouvir cantar, pareces uma tia de Cascais com a caganeira, qualquer dia até eu estou a pôr algodão nos ouvidos.

3. Meu telefone e email tu tinhas o pin
 Aaah, mas do Tuíta e do Feicebuque nem vê-lo. Tá mal. Ou dás todos, ou não dás nenhum.

4. Pra ti sou sempre o vilão, ão
Os cães fazem-se de mortos, aqui o nosso Anselmo faz-se de vítima. Eu já disse ao meu homem que, da próxima vez que discutirmos assim qualquer coisita, vou também cantar, no meu tom de voz sofredor, "pra ti sou sempre a vilãaa, haaan". Pode ser que resulte e que ele venha em direcção à minha pessoa para me dar um xi-coração e que eu depois tenha a oportunidade de dizer "não, não, não. Não me toca!"

E agora, vá, "me deixa ir" que amanhã é um dia pesadito. Boas noites.

2 de novembro de 2014

10 provas de que Deus não me curte

1. Nas situações raras em que deixo a loiça por lavar, o prato precisa de ser esfregado 355 vezes até ficar bem.
2. Compro uma coisa e uns dias depois aparece em promoção, com um desconto para aí de 50%.
3. Quero muito aquele item em específico e não tem o meu tamanho. 
4. Saio de casa e começa a chover.
5. Levo a roupa de inverno para Coimbra, porque o tempo ficou feio, e na semana seguinte ficam 300 graus e um sol que não se pode.
6. O jantar está em execução e falta-me alguma coisa que não tenho em casa.
7. A matéria que estudo mais é precisamente a única que não sai.
8. Estou a fazer alguma coisa importante e a net vai abaixo.
9. Um mês a poupar para comprar aquilo e, quando finalmente tenho o dinheiro, já não há. 
10. Bater com o cotovelo, sempre da mesma forma e no mesmo sítio, praticamente todos os dias.