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2 de novembro de 2014

10 provas de que Deus não me curte

1. Nas situações raras em que deixo a loiça por lavar, o prato precisa de ser esfregado 355 vezes até ficar bem.
2. Compro uma coisa e uns dias depois aparece em promoção, com um desconto para aí de 50%.
3. Quero muito aquele item em específico e não tem o meu tamanho. 
4. Saio de casa e começa a chover.
5. Levo a roupa de inverno para Coimbra, porque o tempo ficou feio, e na semana seguinte ficam 300 graus e um sol que não se pode.
6. O jantar está em execução e falta-me alguma coisa que não tenho em casa.
7. A matéria que estudo mais é precisamente a única que não sai.
8. Estou a fazer alguma coisa importante e a net vai abaixo.
9. Um mês a poupar para comprar aquilo e, quando finalmente tenho o dinheiro, já não há. 
10. Bater com o cotovelo, sempre da mesma forma e no mesmo sítio, praticamente todos os dias.

30 de outubro de 2014

Fuck it


As maravilhas que se encontram num parque de estacionamento.

26 de outubro de 2014

Mutantes

Hoje entrei na Salsa, pela primeira vez desde há um bom par de anos, decididinha a dar uma oportunidade à loja. A roupa da Salsa, para além de achar que é cara para o que vale, costuma ter um estilo que não me assiste muito. Mas hoje gostei da montra e pronto, bateu-se-me assim um ventinho por trás e quando dei conta tinha sido empurrada e estava lá dentro. E que linda que era a camisola preta que estava imediatamente à entrada, sim senhora, assim gosto, pena que custe os olhinhos da cara, mas vou experimentar mesmo não a levando, deixa cá tirar o M. Não há. 

- Precisa de ajuda? (vem a moça toda gira e pimpona, metia-me a um canto)
- Sim, obrigada, eu quero experimentar o M, tem?
- Vou buscar. (volta com a camisola) Olhe, deixe-me aproveitar p'ra lhe dizer que estamos c'uma campanha, recebe um vale de desconto consoante o MUTANTE (...)

Eu aqui deixei de a ouvir. O meu cérebro começou a fazer uma espécie de zumbido, interferência de certezinha, porque a antena devia estar a apanhar mal, quer dizer, "mutante"? Vocês vendem zombies aqui? É que por 50 mocas vale mais, dá para montar e tudo, e ainda é capaz de me aviar ali uns quantos marmelos que eu não me importava que apanhassem um sustinho. Eu digo-vos, não sei como é que não me escangalhei toda ali. Fiquei tão em choque, que quando dei conta já tinha 5 camisolas para experimentar, porque "olhe qu'ésta é mêmo bonita, num acha, ficava-lhe bem, veja lá, ponha assim à frente" e espetava-me então o cabide nos olhos, alinhado ao nível dos ombros, só para depois me deixar mais um cabide nas patas.

18 de outubro de 2014

Hoje fui às compras e sabem o que era grátis?

Chulé na Bershka, suor na Pull e mofo na Stradivarius. E uma dor de cabeça em todas elas. Melhor que os saldos!

14 de outubro de 2014

Brocas, bochechas e conversas de circunstância

Há muitas coisas nesta vida que eu considero absurdas, claro que poucas ultrapassam aquelas fotos que as pessoas tiram na praia que mostram tudo o que há da cintura para baixo, mas como não me quero alongar nessas para não correr o risco de ficar com urticária, vamos só falar de uma delas. Os dentistas. Sim, os dentistas. Porque sempre que lá vou, isto acontece. E não é só no meu dentista, que sei de fontes seguras que isto passa-se noutros consultórios. Portanto, é o seguinte: entra-se lá no cubículo, que regra geral é azul bebé ou verdinho (sim, porque aquilo é tudo da mesma cor, é cadeiras, é mesas, é paredes, é chão, é batas, Deus me livre), cumprimenta-se o Sôr Doutor, sentamo-nos naquela cadeira que, para mim, nada tem de confortável, com luzes de bloco operatório por cima, quase que me cega a vista, e ele vem de lá com a broca (e eu só penso "com a breca"), nós abrimos a bocarra de modo a caber lá um punho ou dois e o senhor começa a fazer o seu trabalho. Ora bem, depois de tudo isto, depois de já estarmos com aquelas porcarias todas na boca, aspiradores e o catano, a baba a escorrer por todo o lado, a barulheira de oficina, é que o raio do homem se lembra de fazer conversa de circunstância. E nem sequer se pode acenar, porque queremos sair dali com bochechas.

- Então e está a correr tudo bem com a faculdade? 
bzzzzzzzzzzzz
- Hum, hum! (erguer sobrolho para mostrar entusiasmo)
bzzzzzzzzz tchhhhhhh
- Muito bem, muito bem... Então e já sabes o que queres fazer quando acabares?
bzzzzzzzzzzzzzz
- Hum, hum... (esperar que ele não pergunte "então o que é")
tchhhhhh
- Então o que é?
trrrrrrrrrrrrr

E o que vem a seguir é um desafio.

11 de outubro de 2014

I'm having none of your shit

Como todas as outras pessoas que habitam esta bolinha de berlim que é o planeta Terra, também eu partilho de momentos que me enchem os pulmões de frustração e que, sinceramente, só me dão vontade de me enfiar no quarto e mamar uma garrafa de Vodka de uma vez só (e eu que nem gosto de Vodka), enquanto choro copiosamente para cima de um boião de gelado de caramelo do Pingo Doce mais próximo. Vamos lá:

1. Quando empresto dinheiro a alguém e depois tenho quase que ser eu a extorqui-lo com uma lapada no focinho, porque a pessoa parece sofrer de amnésia selectiva e não se lembrar de nada.
Claro que com esta aprendi a minha lição, tanto que nunca mais emprestei dinheiro a ninguém. Há males que vêm por bem. Ou isso, ou estou mesmo tesinha que nem uma toalha ao sol e não dá mesmo para emprestar.

2. Quando alguém me chateia a cabeça e fico caladinha que nem um rato, mas depois de 5 horas a pensar surge-me um comeback que até lhe levantava as patas do chão.
O meu cérebro tem a tendência para bloquear quando quero dizer alguma coisa que provoque um efeito de toma-lá-que-já-jantaste na outra pessoa. Acabo sempre por nem responder, mas fico a remoer naquilo durante horas, até finalmente me lembrar de alguma coisa mesmo inteligente para dizer. Ou isso, ou dizer "a tua mãe". 

3. Quando tento chegar às prateleiras de cima da cozinha e não me apetece arrastar-me para cima de um banco.
A técnica é a seguinte: bicos de pés, encolher o nalguedo, esticar até ouvir os músculos esganiçar um "ai" e tactear. Não resulta. Lá vou eu buscar a porra do banco e temer pela vida, que esta que vos escreve sofre que sofre das vertigens. E dos nervos.

4. Quando estou a tomar banho e a água vem fria quando ainda me estou a ensaboar.
Deus não me curte.

Há vidas difíceis, mas a minha...

8 de outubro de 2014

Dos piropos

No outro dia, já não sei bem quando foi graças à minha memória de avestruz, ia descansadinha da vida passeio abaixo, a dirigir-me para casa, quando avisto três construtores civis. Todos sabemos que estes senhores têm sempre uma classe incomparável, são subtis a apreciar nalguedo alheio, qual Don Juan qual quê, e eu já estava preparada para levar com um piropo, porque basta ser mulher, não interessa se pareço a Heidi Klum ou o Tino de Rans. Os senhores tinham por lá uma caixa de cartão e, mal um deles me avistou, foi logo "ó Carlos, abre aí a caixa, olha o que ali vem, olha, olha tão mimosinha", e eu lá continuei o meu caminho como se não fosse comigo, sem saber se haveria de temer pela vida por me quererem enfiar numa caixa (que eu já me estava a imaginar a passar o resto dos meus dias em cativeiro, a comer da portinhola do cão) ou se haveria de me rir por ter sido chamada de "mimosinha".

24 de setembro de 2014

Até apitas

Ora, acontece que o cilindro aqui de casa pifou, foi-se, escafedeu-se. Já há 2 dias que foi para reparação e, supostamente, hoje já teríamos águinha quente. Mas não sei, acho que me habituei tanto a tomar banho de água fria que nem sei se quero voltar à vida fina que é ter água quente. Afinal de contas, para que é que uma pessoa precisa de tomar banho e sentir-se renovada por dentro e por fora? Para quê a água que aquece o corpo e a alma? Para quê, quando temos banhos que nos fazem meter as nádegas para dentro enquanto tentamos, num acto pouco heróico, inclinar a bacia toda para a frente, de modo a não entorpecermos o lombo enquanto lavamos a cabeça? E o bom que é não sentir os membros do nosso corpo?

21 de setembro de 2014

Gosto de trovoada

E gosto, mas não gosto quando troveja tanto que parece que a minha alegre casinha vai c'os porcos e vamos todos parar à quinta das tabuletas. E eu ainda não me casei nem fui mãe. Virgem Maria, que vou ficar sem casa, vou-me meter nas drogas, nunca vou ter um cão e vou morrer esfomeada porque não vou arranjar dinheiro e ninguém vai dar um emprego a uma gaja que não toma banho há 700 dias.

18 de setembro de 2014

Spaghetti Nero my ass, uma ganda bosta é o que é


Os piores 2,54€ da minha vida. DOIS EUROS E CINQUENTA E QUATRO. O homem e eu éramos para até ir jantar fora, mas aqui a je pensou, ora bem hoje é que era um bom dia para fazer aquele esparguete carbonizado que ando há tanto tempo a querer experimentar, em vez de ir ao italiano. Pois bem, o moço concordou e lá fomos nós munir o cesto de compras de marisco e cenas. Quando vimos o preço do carvão na prateleira ele até ficou pálido, "mas vá amor, vá, leva lá isso, sim, vamos provar, vá" e assim foi. Pois acontece que, tanta coisa que é tão boa, e foi o mesmo que comer nada. O marisco estava bom, diz ele, mas foi isso que salvou a cena, porque o raio da massa não tem sabor nenhum. Dois euros e cinquenta e quatro, ai a porra...