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7 de novembro de 2014

6 tipos

1. O engatatão
Sempre armado ao pingarelho, tanto estilo que parece um grilo, este aqui é daqueles que se tornam enjoativos com o tempo. Só vê rabos de saias à frente e é mais frequentemente visto a coçá-los numa esplanada ou na disco night. Usa as palavras da praxe, pois claro, "princesa" e "linda" não falham.

2. O menino da mamã
A mãe é a mulher da vida dele, tudo o que a mãe faz está certo e só ela é que faz bem. Cozinhar para este gaiato ou fazer as lides da casa à frente dele pode ser uma tarefa dolorosa, se não o soubermos fazer exactamente como a D. Arlinda.

3. O nerd
Jogos, computadores e mais jogos. A casa pode estar a arder, mas se eles estiverem a jogar não dão por ela. 

4. O fervoroso do futebol
O Benfica é o nosso grande amoooooooor! É um futebolista de alma. Vive do futebol e para o futebol. E se a mulher alinhar numa jola, tremoços e Benfas, ele casa-se.
(Aqui usei o SLB porque é o meu clube - shiu)

5. O taradinho por anime 
Vistam-se lá de uma personagem qualquer de anime e o moço vai ficar tolinho da cabeça. Se for Hentai, então, é capaz de ter um ataque. Preparem-se para muito Cosplay nesta relação.

6. O engraçadinho
Não fala a sério, nunca. Goza, muito. Irritante de fazer doer nos ossos. Tendências para ser infantil.

5 de novembro de 2014

Tá difícil

Eu bem que tentei ignorar a onda do Não Me Toca e isso tudo, mas, reconheçamos (que eu também sou menina para dar o braço a torcer de vez em vez), que quando alguma coisa se torna viral nós deitamos o olho. Neste caso, o ouvido também. E eis que dei por mim a passar os olhos pelas letras do Anselmo, depois de ouvir até à exaustão as músicas do moço sensação a passar na rádio e nos bares e em todo o sítio e mais algum. Comecemos, pois então, que se faz tarde:

1. Eu te disse que eu era inocente, baby
Esta é aquela do "eu bem te disse pra estares masé caladinha, que não esteve nenhuma moça de leste no meu quarto, aquilo no cobertor eram os pêlos do Labrador da vizinha, eu bem te disse, mas tu és sempre a mesma coisa, pá, sempre a mesma coisa". Ali o "baby" é para dar uma pitadinha de doçura.

2. O teu ciúme no teu ouvido pôs algodão
Não foi o ciúme, Anselmo. Ela não está é para te ouvir cantar, pareces uma tia de Cascais com a caganeira, qualquer dia até eu estou a pôr algodão nos ouvidos.

3. Meu telefone e email tu tinhas o pin
 Aaah, mas do Tuíta e do Feicebuque nem vê-lo. Tá mal. Ou dás todos, ou não dás nenhum.

4. Pra ti sou sempre o vilão, ão
Os cães fazem-se de mortos, aqui o nosso Anselmo faz-se de vítima. Eu já disse ao meu homem que, da próxima vez que discutirmos assim qualquer coisita, vou também cantar, no meu tom de voz sofredor, "pra ti sou sempre a vilãaa, haaan". Pode ser que resulte e que ele venha em direcção à minha pessoa para me dar um xi-coração e que eu depois tenha a oportunidade de dizer "não, não, não. Não me toca!"

E agora, vá, "me deixa ir" que amanhã é um dia pesadito. Boas noites.

31 de outubro de 2014

Enfermeiras, princesas e Smurfs

Pessoal, isto é o Halloween. Não é o Carnaval. E por muito que seja giro vestir de enfermeira badalhoca, tentem que o badalhoco seja mesmo porque as vossas tripas estão de fora e vocês nem tiveram tempo de se limpar. E por muito tentador que possa ser ir de Princesa, porque queremos andar sempre lindas (suas vaidosonas!), metam uma faca a atravessar-vos a cabeça e façam qualquer coisa à cara ou ao cabelo para parecer que andaram a combater na segunda Grande Guerra. Palhaços assustadores, sim, enfermeiras de asilo, sim, vampiros, bruxas e ogres, sim, Lili Caneças ou Betty Grafstein, também. Se quiserem mesmo levar isto à loucura, vistam-se de Correio da Manhã, que assusta de tão mau. Agora cenas que não servem para assustar guardem para o Carnaval, combinado? Prooonto. Entretanto, vou só ali ver se encontro a minha mão direita, que de vez em quando dá-lhe para a brincadeira e foge que nem uma maluca. 

29 de outubro de 2014

As mulheres e a discrição

Quero crer que sou uma pessoa discreta, mas vamos lá ver, falando a sério, a quem é que eu quero enganar? Uma mulher discreta é uma raridade. Nós nascemos para ser curiosas e para satisfazer a nossa curiosidade na hora. Não é daqui a cinco minutos, duas horas, não, é logo. Para ontem. É por isso que não nos podem dizer "olha, está ali a passar uma mulher com três mamas e um braço no meio da testa" e acrescentar "mas não olhes agora" porque nós não vamos aguentar. Ainda a outra pessoa não acabou de falar e já nós estamos a fazer o movimento ao pescoço sem qualquer tipo de arrependimento. E depois não olhamos devagarinho, era o que mais faltava, toca a virar depressa que isto a vida são três dias e não podemos perder muito tempo. Quando é um grupo de mulheres e viram todas ao mesmo tempo, enquanto perguntam "ONDE" é que eu fico contente. Show de bola.

28 de outubro de 2014

Solidariedade e estupidez

O tuga é humano e, como qualquer humano que se preze, o tuga tem fraquezas. Nós somos um povo quentinho, fixe e acolhedor para os que visitam o nosso país, mas, diga-se de passagem, que entre nós somos um bocadinho estranhos, no mínimo. Tuga que é tuga mostra quem é que veste as calças lá em casa. O "está azedo, ó prova" é um exemplo. Nós temos ali aquele Mimosa Bem Especial há uns, no mínimo, 30 dias e apetece-nos comer cereais ou usar aquilo para fazer puré, e como somos gente que não gosta de deitar fora (sim, porque isto não é só fraquezas, também temos virtudes), os 30 dias não nos convencem, e então o que se faz é pedir a um desgraçado qualquer lá de casa para provar aquela porcaria, que já está mais que verde e tem cenas a boiar lá dentro. Isto serve para tudo. Para o "isto cheira mal, ó cheira", para o "esta cadeira está laça, ó senta-te", para o "vê-me se esta camisola cheira a suor debaixo dos sovacos", tudo o que seja mau. Nós gostamos de partilhar este tipo de coisas, não gostamos de ficar sozinhos nestas situações. Caramba, se eu cheirei esta porcaria, mais alguém tem que cheirar. Queremos ver o outro a sentir-se tão mal quanto nós com o cheiro do Mimosa e, se ele cair também da cadeira abaixo, ainda dizemos "vês? Eu disse-te que estava laça, tem que se compôr". O pior disto tudo é que o desgraçado que cheirou o Mimosa para confirmar que aquilo já não estava bom e acabou a torcer o nariz até ficar deformado e a dizer "eish, isso cheira mesmo mal", ou que se sentou na cadeira sabendo que aquilo ia cair não tarda e acabou c'uma nódoa negra na nádega esquerda, acedeu com toda a boa vontade que, por outro lado, também nos caracteriza. Somos estúpidos.

27 de outubro de 2014

Praia

Este tempo de calor faz-me lembrar praia. E praia faz-me lembrar certos ódiozinhos de estimação que eu dispensava ter que aguentar sempre que lá vou. Ora:

1. Putos
Epá, eu gosto muito de crianças, que gosto. São giros, fofinhos, dão para trazer no bolso e mostrar às pessoas e tal. Mas putos na praia não dá. Putos na praia significa berros, os ó-mãaaaaeeeeeeeee-mãaaeeeeeee, areia na toalha e sabe-se lá mais onde, mais berros, choro, guinchinhos estridentes, correrias e chapinhanços. E também se vêem pilinhas de vez em quando, porque, bem, os putos ainda não têm opinião e são os pais que mandam.

2. Qué relógio?
Os "qué relógio" estão sempre a tentar expandir negócio e, por isso, estão por todo o lado. Eles têm relógios rofex, óculos de sol rei ban e daquelas pulseiras às cores que se compram nas feiras. E os mais artísticos trazem ainda túnicas e chapéus. É o que eu gosto de chamar homem da gabardine, só que, para felicidade minha, ainda não começaram a levar gabardine e a abri-la sem ter nada por baixo.

3. Casais languinhentos
Estes aqui são um caso mais delicado. Estamos na praia, o pessoal está em trajes menores,  e se já é mau ter que levar com um casal a fazer endoscopias a céu aberto noutro sítio qualquer, então ali pior ainda. Porque, bem, os homens têm sempre algo que revela muito bem o seu estado de espírito nestas situações e nós não queremos ver isso. Intimidade alheia interessa-me tanto como ver Secret Story. Zerinho.

4. Mamas e rabos
Claro que neste ponto os machos discordam de mim, mas a verdade é que eu não fui para uma praia de nudismo por alguma razão.

5. Bolas
Não consigo contar apenas pelos dedos o número de vezes que já levei boladas na praia, à custa dos maus locais que os gaiatos escolher para jogar à bola. E aquela porcaria vai a toda a força, cheia de areia contra as pernas, barrigas e braços das pessoas. Fica-se ali com um picotado jeitoso na pele e uma vermelhidão bonita, para dar cor.

6. Chapéus voadores
Já levei com um em cheio no trombil e não posso dizer que gostei da experiência.

E é isto, para além dos avecs todos que aparecem no verão e que se apoderam da praia com aqueles neologismos espectaculares. Acho que vou comprar uma ilha e deixar de ir à praia.

21 de outubro de 2014

Sem ofensa

As pessoas que dizem "sem ofensa" antes ou depois de dizerem qualquer coisa que, potencialmente, vai ferir as susceptibilidades do receptor, estão na minha listazinha de pessoas que quero atropelar repetidas vezes com um camião tir por quem nutro pouca simpatia. Não é pela expressão em si, mas sim porque a usam quando têm precisamente o intuito de ofender. E o "sem ofensa" na cabeça destas criaturas atenua a ofensa, por muito má que ela seja. Estou a chamar-te de mono, não gosto da tua tromba e cheiras mal, mas atenção, é sem ofensa, vê lá não te chateies, que eu só quero o teu bem. 

18 de outubro de 2014

Comboio e pessoas

Gosto de viajar de comboio, vou ali descansadinha da vida, a ouvir a minha música, a ver os meus filmes, as minhas séries ou a ler. É bom ter estes momentos só para mim, porque numa viagem não há assim tanta coisa que se possa fazer e que nos tire aquele bocadinho de descanso que podemos ter. Mas também tenho aqueles momentos de observação intensiva, em que olho para as pessoas, todas diferentes e todas iguaizinhas ao mesmo tempo, e as ouço. De vez em quando lá apanho umas pérolas que me confirmam todas as conclusões que fui tirando sobre a espécie humana ao longo dos anos, qual Darwin. Hoje fiz uma viagem de três horas e deu pano para mangas. Vi um irmão e uma irmã à pancada, mas forte e feio, vocês não estão bem a ver, ele mordia-a, ela mandava-lhe lapadas de mão aberta no focinho, na nuca e nas orelhas, ele mandava-lhe murros na barriga, ela cuspia-lhe, ele puxava-lhe os cabelos, e lá refilavam eles um com o outro, os dois uns autênticos brutamontes ainda novitos, na sua adolescência, enfim, amor de família do bom. Vi também toda a gente a entrar em pânico porque uns eram surdos e os outros levavam os phones nos ouvidos, e então não ouviram o revisor anunciar a paragem (anunciou, mas muito baixinho), já estavam todos a levantarem-se e ai que não anunciou, ai que não sei onde estou, ai que isto é uma falta de respeito, anunciou sim senhor, mas vós ides todos a dormir minha gente. Vi uma gaiata a mudar de lugar umas três vezes, porque nunca se sentou no dela e, depois de se sentar no terceiro, quando veio a pessoa a quem pertencia aquele lugar, teve o descaramento de dizer "olhe sente-se aí noutro, se faz favor, porque eu já mudei três vezes e já começo a ficar farta" e a mulherzita só teve tempo de erguer as sobrancelhas, muito escandalizada com a má educação da miúda, pois claro, e lá se sentou ela noutro lugar. Vi um homem babar-se e a roncar enquanto dormia. Vi um rapaz a fazer bolhinhas de saliva. Eu realmente nem preciso de me entreter com nada, que isto é uma versão leve da TVI em andamento.

16 de outubro de 2014

Música, nasci pra música

Eu ouço Pop e Hip-Hop, e outras que tais, como todas as pessoas neste mundo, que, quanto mais não seja, apanham a dar na rádio. E há pedacinhos de pura poesia, que trazem autêntica frescura aos meus dias, são lufadas de ar fresco que encostam qualquer Rock do Mercury a um canto, que cada vez que as ouço sinto que vivo num mundo repleto de sanidade mental, de pessoas racionais e, digamos, com bom senso. Juro-vos. Ora atentem:

1. You a stupid hoe (Nicki Minaj)
Verdade seja dita que esta dá-me vontade de andar por aí a dizê-la às pessoas. Imaginem, quando alguém tivesse uma saída mesmo infeliz, daquelas que vos dá vontade de darem com o focinho na parede, chegavam assim de mansinho por trás da pessoa, esticavam um dedito e faziam uma formação em z, punham um ar de "oh hell no bitch" e gritavam aquilo. Giro, hã? Dá ou não dá vontade?

2. Bitches suck my dick because I look like J.K. Rowling
Não sei de que música é, mas palpita-me (e olhem que eu até sou boa nesta coisa dos palpites) que este aqui não faz puto de ideia de quem seja a J.K. Rowling.

3. I'm trying to find the words to describe this girl without being disrespectful. Damn, you're a sexy bitch (Akon)
Eu gostava muito que todos os homens fossem cavalheiros como este. Ser chamada de "vaca sexy" foi sempre um dos meus grandes objectivos, desde que aprendi a andar e a falar. Aliás, acho que já na barriga da minha mãe, portanto vejam.

4. Ass, ass, ass, ass, ass, ass, ass, ass (Nicki Minaj)
Definitivamente, a Minaj é um génio lírico. 

5. You know what to do with that big fat butt (Jason Derulo)
Oh amigo, é assim, eu não quero saber o que é que ela te faz em privado. A parte boa de se ter uma vida íntima, é que ela não passa para fora e os outros não têm que estar a levar com pormenores dela, sim?

6. I'll take you to the candy shop, I'll let you lick the lollypop (50 Cent)
É nisto que dá quando o fifty tenta ser discreto e não ofender a gaiata. Aliás, ele ainda por cima dá-lhe a honra, reparem como ele diz "eu deixo-te lamber o meu chupa-chupa". 

7. Are you into astrology? 'Cause I'm tryin' to make it to Uranus (Kanye West)
Digno de um construtor civil que se preze, ou do nosso amigo Camarinha.

8. I'll give you something big enough to tear your ass in two (Robin Thicke)
Ora isso é que dava jeito, porque às vezes o rabo pesa, então assim ficávamos com metade em casa e só tínhamos que carregar a outra metade. Sempre a pensar mais à frente, este pessoal, é por isso que eu não abdico dos ensinamentos que me proporcionam.

9. I see fire (Ed Sheeran)
O Ed vê fogo nas montanhas e arranja logo pretexto para cantar sobre isso. Então e chamar os bombeiros, não? Fica para depois? 

10. Sex in the air, I don't care, I love the smell of it (Rihanna)
Aparentemente, a nossa Rihanna gosta de mandar umas caimbradas no avião e diz que adora o cheiro. Calculo que seja bom, ali misturadinho c'o aroma que costuma pairar no ar numa casa de banho de avião. Só coisas boas. Esta miúda sabe.

Há muitas mais, mas pronto, o meu trabalho aqui está feito, porque já estava a sangrar dos olhos e dos ouvidos e tive que ir ali buscar algodão.

14 de outubro de 2014

Gregos e troianos

Se é gorda, devia ter mais cuidado com o que come, porque não é de mil folhas que se faz a saúde, e o McDonald's devia ter um sinal a proibir, explicitamente, a sua entrada. Aliás, a gorda devia pagar uma coima por cada centímetro a mais que não deixa as pessoas deslocarem-se à sua volta sem se sentirem claustrofóbicas com tanta falta de espaço. Tão flácida, tanta celulite, devia ter vergonha de ter a gordura a escorrer que nem manteiga por ali abaixo e nem se devia atrever a ver a luz do dia, por amor de Deus. Se é magra, ai meu Deus, que aquelas pernitas parecem estacas, que horror, vê-se o esqueleto. A magra tem a mania das dietas, devia era comer uns hamburguerzinhos para ver se arrebita, se se faz mulher. Nem lhe deve ficar bem a roupa, aquilo é bom é para servir de cabide, as minhas filhas que não sigam o exemplo, que elas querem-se é cheinhas. Olha para aquilo, parece que vai tombar a cada passo que dá. Se é assim-assim, não é assim tão boa, porque a barriga é grande de mais para as pernas e aqueles bracitos são finitos para as mamas que tem, nem sabemos porque é que a ampulheta é a silhueta mais desejada, que aquilo de proporcional não tem nada e os homens nem gostam nada daquilo. Se é alta, é porque come da cabeça dos outros, se é baixa é porque anda rentinha ao chão, se tem o nariz grande é porque o nariz chega primeiro que ela, se tem a boca torta é porque parece que lhe deu uma trombose. Não se pode agradar a gregos e a troianos, resta-nos agradar a nós próprios. E é isso mesmo que temos que fazer. De pessoas como estas está o mundo cheio, eu já as deito pelos olhos. Só sabem dizer mal, nada nunca está, nem estará, bem. E sabem porquê? Porque nunca estão, nem nunca estarão, bem dentro da própria pele. Serão sempre umas infelizes. Mas já a minha avó dizia "antes o mal de inveja, que o bem de piedade".

Brocas, bochechas e conversas de circunstância

Há muitas coisas nesta vida que eu considero absurdas, claro que poucas ultrapassam aquelas fotos que as pessoas tiram na praia que mostram tudo o que há da cintura para baixo, mas como não me quero alongar nessas para não correr o risco de ficar com urticária, vamos só falar de uma delas. Os dentistas. Sim, os dentistas. Porque sempre que lá vou, isto acontece. E não é só no meu dentista, que sei de fontes seguras que isto passa-se noutros consultórios. Portanto, é o seguinte: entra-se lá no cubículo, que regra geral é azul bebé ou verdinho (sim, porque aquilo é tudo da mesma cor, é cadeiras, é mesas, é paredes, é chão, é batas, Deus me livre), cumprimenta-se o Sôr Doutor, sentamo-nos naquela cadeira que, para mim, nada tem de confortável, com luzes de bloco operatório por cima, quase que me cega a vista, e ele vem de lá com a broca (e eu só penso "com a breca"), nós abrimos a bocarra de modo a caber lá um punho ou dois e o senhor começa a fazer o seu trabalho. Ora bem, depois de tudo isto, depois de já estarmos com aquelas porcarias todas na boca, aspiradores e o catano, a baba a escorrer por todo o lado, a barulheira de oficina, é que o raio do homem se lembra de fazer conversa de circunstância. E nem sequer se pode acenar, porque queremos sair dali com bochechas.

- Então e está a correr tudo bem com a faculdade? 
bzzzzzzzzzzzz
- Hum, hum! (erguer sobrolho para mostrar entusiasmo)
bzzzzzzzzz tchhhhhhh
- Muito bem, muito bem... Então e já sabes o que queres fazer quando acabares?
bzzzzzzzzzzzzzz
- Hum, hum... (esperar que ele não pergunte "então o que é")
tchhhhhh
- Então o que é?
trrrrrrrrrrrrr

E o que vem a seguir é um desafio.

12 de outubro de 2014

Como detectar um "desengate" em 5 segundos - Guia para totós

Eu bem sei que o objectivo daqueles moços dengosos que estacionam perto do bar da discoteca e que ficam lá de jola na mão, a exibir a sua melhor camisa preta de riscas cinzentas, é engatar as miúdas. O lema é "quanto mais, melhor" e como até têm algum dinheirito para gastar em copos, lá esperam eles pela melhor oportunidade para saquear a moça dos seus sonhos, que, regra geral, é completamente fora da liga deles. Então o que acontece é que em vez de engatarem, "desengatam". E como, perguntam vocês? Bem, se o aspecto do gaiato que imaginaram enquanto eu descrevi não vos demoveu, não temam, que eu cá estou, como sempre, para vos elucidar. Vamos a isto: 

1. Oi princesa, és sempre assim tão linda?
O "oi princesa" por si só já vos devia fazer revirar os olhinhos como se estivessem a ter uma convulsão febril. Ainda assim, se forem insistentes, podem sempre responder que ainda há umas horas tinham lepra, só que aquilo c'um bocadito de creme hidratante passou.

2. Posso-te pagar uma bebida, fofa?
Aceitem a bebida, claro. Peçam a que tiver mais açúcar, para o pacóvio ficar bem peganhento quando lha despejarem pela cabeça abaixo.

3. Se tu quiseres, já somos dois a querer...
Aqui não há muito a fazer, isto ultrapassa o patamar da imbecilidade, Q.I. muito abaixo dos 50.

4. Babe (...)
Nem se dá hipótese. Aguenta-se o "princesa", o "jóia", o "fofa", o "linda", o "gira" e, com muito esforço heróico e muita força de vontade, o "bebé". Mas o "babe", não. O "babe" é quase aceitar que a seguir nos perguntem quanto levamos.

5. Eu nunca disse isto a nenhuma miúda antes, mas (...)
Se caírem nesta, é porque não há esperança para vocês. Pronto, limitem-se a aceitar que vão ter que lavar a camisa preta das riscas cinzentas no futuro e que vão receber mensagens a dizer "dorme bem princeza :) <33 bonx sonhox", para além de que os vossos brincos também vão ser usados pelo vosso namorado.

6. Na minha casa, ou na tua?
Nós, mulheres, apreciamos o charme e a subtileza, que acabam por se interligar. Um homem que nos diz uma coisa destas, pior do que transbordar azeite por todos os poros, claramente que de discrição não percebe muito e quer é despachar a coisa. Nem que seja preciso pagar-vos umas 5 vodkas para vocês o verem bonito e depois tentar a sorte e ver se a coisa pega.

Posto isto, meninas, vamos lá fazer pelo futuro dos azeiteiros deste mundo e arredores e vamos dar-lhes o pontapé de saída que eles precisam para deixar esta vida. E vamos fazer por nós, que não precisamos de tanto para fazer os refogados de uma vida inteira.

3 de outubro de 2014

Ainda não me dediquei à procriação

Mas quero muito ter uma catrefada de putos um dia e já me pus aqui a pensar, a tentar pôr-me na pele de uma insuflada (adorável, claro, como todas elas sabem ser) para perceber que tipo de coisas as pessoas me vão fazer/dizer durante a gestação e que vão libertar o kraken. Cheguei a conclusões bastante simples e rápidas. 

1. "Parabéns! Foi planeado ou foi sem querer?"
Depois de acertar c'um sopampo na tromba do animal vou exclamar "oops, espasmos, foi sem querer!"

2. "Ai filha, és tão magrinha, olha-me para essas pernas, não vais ter um parto fácil!"
Por acaso esta já me disseram, numa conversa casual sobre o assunto, porque sou magra e supostamente as minhas coxas não vão suportar o bebé. Mas a pessoa em questão também tem uma tranca que não fecha e eu presumi que aquilo fosse só o verde a falar.

3. Tocarem na barriga sem pedir
Não me importo que sintam os pontapés da criancinha nem nada que se pareça, mas calma, que a barriga pode estar de fora e chegar primeiro do que eu a todo o lado mas não deixa de ser uma parte privada do meu corpo. Por isso, antes de assentar as manápulas no capacete, há que perguntar se pode sentir o bebé.

4. "Andas a comer?"
Epá, não. Porque o fedelho come-me tudo e eu não estou para estar aqui a gastar Milaneza assim à papo seco. Parece que não, mas fica carote e eu ainda quero ir ao ginásio depois disto.

5. "Olha que uma criança é uma grande responsabilidade, de certeza que estás preparada?"
Realmente, não me tinha lembrado disso, vou só ali dizer que já não quero e já volto. 

E basicamente é isto. Desconfio de que vou ser uma grávida irritável e que, de 2 em 2 segundos, me vai apetecer alinhar numa killing spree. 


30 de setembro de 2014

Como fazer um hit musical - Guia para totós

Não tem nada para fazer e quer mudar a sua vida? Está farto/a de ouvir a música dos outros e quer começar a fazer a sua? Amigo/a, prepare-se, esta caminhada é longa e não se faz sem companhia. Vamos começar, sim?

1. Ritmo panados-com-pão 
Este é o 1º passo. Ritmo que é ritmo, hoje em dia, tem que ser uma mistura de tuntscapunts e de timtimtimtim para resultar bem. E se puder enfiar lá para o meio um dubstepzinho, também marcha. É preciso é haver imaginação e basear-se na robótica.

2. Consegues tudo se quiseres
É importante passar uma mensagem positiva. E que melhor do que os típicos discursos motivacionais do "consegues fazer tudo, desde que tenhas força de vontade" ou "o mundo é teu, basta esticares o braço para o alcançar". 

3. Não precisas de fazer exercício físico, estás bem assim
"És lindo/a como és, por isso podes continuar a marfar cheeseburguers como se não houvesse amanhã. E porque não terminar com umas bolinhas de berlim, afinal de contas, estás bem assim, mesmo que tenhas 180kg e a tua saúde esteja tão boa como a de um pulmão de um fumador."

4. Que se lixem os haters
A filosofia do "estou-me pouco lixando para o que os outros dizem, mas no entanto estou a escrever sobre o que os outros dizem" é também um sucesso imediato. Mostra que não se importa realmente com o que os outros pensam de si. Quer passar uma mensagem de força e de resiliência? Vá por mim, este é o passo. Não tem como falhar.

5. Rabos, drogas e twerking
Esta é isto mesmo. Quanto maior o rabo, maior a letra da música, por isso, é investir. Se meter pelo meio umas dicazinhas relacionadas com estupefacientes que podem muito bem levá-lo até à esquadra, aí o ouvinte rejubila. E o twerking, bem, como não falar do twerking? Aquilo é um money maker.

6. A imagem
Claro que a sua imagem conta. Se quer realmente transmitir boas vibrações com o seu aspecto e cortar definitivamente com a sua imagem de Zé, caso seja um senhor, então sugiro que comece pelo corte de cabelo. Queremos assim uma mistura de segurança de discoteca com jogador de futebol, talvez um dentinho de ouro ou mesmo um aparelho de diamantes, porque não, aqui o truque é arriscar. Deixe-se levar. Go crazy. Uma tshirtzinha 3 números acima e umas calças pelos joelhos também ficam bem. Se for uma senhora, nada como um bodysuit e umas botinhas de cano alto (brancas, de preferência, e com plataforma do mais alto que conseguir) para garantir quem manda ali. Pintar o cabelo de qualquer cor que lhe aprouver é fundamental (roxo, azul turquesa, amarelo, "quanto pior, melhor" é a regra). Tatue-se, fure-se todo/a para pôr brincos. Enfim, aqui pode seguir o que o seu coração lhe disser, mas lembre-se: dress to impress.

E a partir daqui, já deve estar pronto/a para voar sozinho. Voe, amigo/a, voe. Surpreenda-nos.

(Atenção que isto foi escrito por pura diversão, não critico quem ouve este tipo de música. Eu mesma, sendo fã acérrima de rock, me deixo apanhar por estes ritmos e por estas letras e também me podem ouvir cantar Snoop Dogg Lion no duche. Queriam vocês ter essa sorte)

20 de setembro de 2014

Ai desculpe, que não a vi, nem a si, nem aos 20 que estão atrás

Tenho um ódiozinho de estimação requintado por pessoas que passam à frente nas filas. O que é que lhes passa pela cabeça? "Espera lá que eu tenho metro e meio, pode ser que nem dêem por ela", ou "olha, tanta gente alinhada, todos uns atrás dos outros, e a senhora da balança da fruta ali à frente a pegar-lhes nos sacos, que giro, vou lá dar o meu saco também", é isso? Não sabem que não se faz? Que é feio? Que ao fim de meia hora à espera para pesar três bananas e uma papaia o que menos quero é um marmelo a passar as uvas à minha frente? Ai a porra.

14 de setembro de 2014

Mas olhem que elas também não lhe ficam atrás

Em jeito de continuação a este post, tenho eu a dizer que o swag das gaiatas não deve nadinha ao dos moços. Ele é calção a mostrar as bordas do rabo, que, como é óbvio, TODOS nós queremos ver, qual tempo das ceroulas qual quê, bom bom é mesmo apreciar celulites alheias; ele é tshirts que acabam acima do umbigo, usadas em conjunto com aqueles mesmos calções, a dizer "#selfie", ou outras coisas que elevam o brilhantismo cognitivo a todo um outro nível; ele é duckfaces para tirar fotos ou, outra coisa de que gosto muito, línguas de fora e piretes (e isto num dia bomzinho, em que mostram a cara, porque o resto das fotos é tudo da clivagem). Enfim, eu tenho é dor de cotovelo.

O swag tuga é uma cena muito sub-valorizada, yolo

Sim, porque aquilo dá trabalho. Envolve toda uma panóplia de estratégias e movimentos corporais que, bem treinadinhos, são coisa para tirar o ar a qualquer moça que se apresente. Ele é o franzir do sobrolho, mas sem esquecer de deixar as sobrancelhas levemente erguidas, para dar aquele ar de estou-mesmo-muito-confuso-e-surpreendido-quase-até-chocado; ele é o bocadinho do boxer Império Armando a ver-se acima das calças (também não é preciso muito porque aquilo anda sempre nos joelhos), porque homem que é homem mostra bem de que roupa interior se abastece ali na Feira de São Mateus; ele é o brinquinho diamante e o gelzinho no cabelo, extra forte, para dar numa de acordei-agora-mesmo-e-vejam-só-como-estou-lindo; ele é as mangas cavas, para mostrar os músculos de quem, claramente, só treina os braços e para mostrar a tatuagem a dizer "Princesa", com o focinho da cadela estampado mesmo acima; ah, e nada de esquecer a locomoção dos gaiatos, que isso é coisa para me deixar a questionar se se lesionaram a sério, ou se aquele ligeiro arrastar do pé foi uma trombose. Enfim, temos sempre tanto a aprender sobre charme.

12 de setembro de 2014

Deus dai-me paciência e um paninho para a embrulhar

Porque eu até posso ser uma florzinha de estufa e levar a vida muito a sério, mas aquelas famílias que se encontram nos centros comerciais e decidem, num momento da mais pura iluminação divina, ficar a falar à beirinha das escadas rolantes, deviam mesmo era ser trinchadas que nem um peru em Dia de Acção de Graças, ainda para mais quando deixam os Carlinhos e os Joãozinhos correr no sentido contrário ao da escada, porque "olha só para eles, não são uns amores". Era lavrarem c'os queixos até Santarém, que até piavam fininho.