Terceira noite esta semana que tento adormecer ao som de "elas ficam loucas com dedjinho na boca" e "assim você matou papai".
12 de outubro de 2014
11 de outubro de 2014
I'm having none of your shit
Como todas as outras pessoas que habitam esta bolinha de berlim que é o planeta Terra, também eu partilho de momentos que me enchem os pulmões de frustração e que, sinceramente, só me dão vontade de me enfiar no quarto e mamar uma garrafa de Vodka de uma vez só (e eu que nem gosto de Vodka), enquanto choro copiosamente para cima de um boião de gelado de caramelo do Pingo Doce mais próximo. Vamos lá:
1. Quando empresto dinheiro a alguém e depois tenho quase que ser eu a extorqui-lo com uma lapada no focinho, porque a pessoa parece sofrer de amnésia selectiva e não se lembrar de nada.
Claro que com esta aprendi a minha lição, tanto que nunca mais emprestei dinheiro a ninguém. Há males que vêm por bem. Ou isso, ou estou mesmo tesinha que nem uma toalha ao sol e não dá mesmo para emprestar.
2. Quando alguém me chateia a cabeça e fico caladinha que nem um rato, mas depois de 5 horas a pensar surge-me um comeback que até lhe levantava as patas do chão.
O meu cérebro tem a tendência para bloquear quando quero dizer alguma coisa que provoque um efeito de toma-lá-que-já-jantaste na outra pessoa. Acabo sempre por nem responder, mas fico a remoer naquilo durante horas, até finalmente me lembrar de alguma coisa mesmo inteligente para dizer. Ou isso, ou dizer "a tua mãe".
3. Quando tento chegar às prateleiras de cima da cozinha e não me apetece arrastar-me para cima de um banco.
A técnica é a seguinte: bicos de pés, encolher o nalguedo, esticar até ouvir os músculos esganiçar um "ai" e tactear. Não resulta. Lá vou eu buscar a porra do banco e temer pela vida, que esta que vos escreve sofre que sofre das vertigens. E dos nervos.
4. Quando estou a tomar banho e a água vem fria quando ainda me estou a ensaboar.
Deus não me curte.
Há vidas difíceis, mas a minha...
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8 de outubro de 2014
Dos piropos
No outro dia, já não sei bem quando foi graças à minha memória de avestruz, ia descansadinha da vida passeio abaixo, a dirigir-me para casa, quando avisto três construtores civis. Todos sabemos que estes senhores têm sempre uma classe incomparável, são subtis a apreciar nalguedo alheio, qual Don Juan qual quê, e eu já estava preparada para levar com um piropo, porque basta ser mulher, não interessa se pareço a Heidi Klum ou o Tino de Rans. Os senhores tinham por lá uma caixa de cartão e, mal um deles me avistou, foi logo "ó Carlos, abre aí a caixa, olha o que ali vem, olha, olha tão mimosinha", e eu lá continuei o meu caminho como se não fosse comigo, sem saber se haveria de temer pela vida por me quererem enfiar numa caixa (que eu já me estava a imaginar a passar o resto dos meus dias em cativeiro, a comer da portinhola do cão) ou se haveria de me rir por ter sido chamada de "mimosinha".
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3 de outubro de 2014
Ainda não me dediquei à procriação
Mas quero muito ter uma catrefada de putos um dia e já me pus aqui a pensar, a tentar pôr-me na pele de uma insuflada (adorável, claro, como todas elas sabem ser) para perceber que tipo de coisas as pessoas me vão fazer/dizer durante a gestação e que vão libertar o kraken. Cheguei a conclusões bastante simples e rápidas.
1. "Parabéns! Foi planeado ou foi sem querer?"
Depois de acertar c'um sopampo na tromba do animal vou exclamar "oops, espasmos, foi sem querer!"
2. "Ai filha, és tão magrinha, olha-me para essas pernas, não vais ter um parto fácil!"
Por acaso esta já me disseram, numa conversa casual sobre o assunto, porque sou magra e supostamente as minhas coxas não vão suportar o bebé. Mas a pessoa em questão também tem uma tranca que não fecha e eu presumi que aquilo fosse só o verde a falar.
3. Tocarem na barriga sem pedir
Não me importo que sintam os pontapés da criancinha nem nada que se pareça, mas calma, que a barriga pode estar de fora e chegar primeiro do que eu a todo o lado mas não deixa de ser uma parte privada do meu corpo. Por isso, antes de assentar as manápulas no capacete, há que perguntar se pode sentir o bebé.
4. "Andas a comer?"
Epá, não. Porque o fedelho come-me tudo e eu não estou para estar aqui a gastar Milaneza assim à papo seco. Parece que não, mas fica carote e eu ainda quero ir ao ginásio depois disto.
5. "Olha que uma criança é uma grande responsabilidade, de certeza que estás preparada?"
Realmente, não me tinha lembrado disso, vou só ali dizer que já não quero e já volto.
E basicamente é isto. Desconfio de que vou ser uma grávida irritável e que, de 2 em 2 segundos, me vai apetecer alinhar numa killing spree.
2 de outubro de 2014
Então, não sejas bardajão
Opá, há qualquer coisa, pelo menos para mim, de nada atraente em homens que abusam do uso de termos brejeiros. "Aquela gaja é mesmo boa" é o tipo de frase que me custa ouvir. Imagino sempre um barrigudo seboso no café, com uma caneca de litro à frente e um prato de tremoços (não que eu tenha algo contra tremoços, aquilo é um manjar), a cofiar a barba e a soltar um "eheheh". Primeiro, porque a rapariga está a ser tratada de um modo depreciativo que não me assiste e segundo, porque dá logo todo um aspecto de Zezé Camarinha que vai acabar por nunca se casar de tão triste que é e que vivia perfeitamente feliz em comunhão com os seus numa qualquer temporada de Secret Story. Nem que se vista de fatinho e que use Hugo Boss um homem destes vai muito longe, sim, porque também os há, desses engomadinhos que parece que brotam charme por tudo quanto é poro mas vai-se a ver e são uns autênticos bardajões em disfarce.
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